quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Seu Pensamento

Adriana Calcanhoto

A uma hora dessas
por onde estará seu pensamento
Terá os pés na terra
ou vento no cabelo?

A uma hora dessas
por onde andará seu pensamento
Dará voltas na Terra
ou no estacionamento?

Onde longe Londres Lisboa
ou na minha cama?

A uma hora dessas
por onde vagará seu pensamento
Terá os pés na areia
em pleno apartamento?

A uma hora dessas
por onde passará seu pensamento
Por dentro da minha saia
ou pelo firmamento?

Onde longe Leme Luanda
ou na minha cama?


*Onde quer que esteja, estou certa que o pensamento d'ocês não está aqui, no blog. Este é meu singelo desejo de Ano Novo para vocês - que seus pensamentos voem longe, que seus planos não conheçam muros, que suas loucuras não sejam anestesiadas em 2009.
Jaqueline Costa

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Página de Fim de Ano

White Christmas no dos Outros é Refresco

Eu sei, amiguinhos, eu sei. O diário está parado, eu nem desejei um Feliz Natal à minha lista, o peru não é saudável, não é Sadia, e o preço da Barbie está um roubo!
Aqueles que conhecem esta pessoa há algum tempo sabem que o mês de Dezembro é sempre atarefado, numa tentativa insana de, entre os dias 18 e 25, ver a TODOS os meus amigos e ganhar vários muitos abraços. Tentativa insana mas que vale totalmente à pena.
Natal para mim é secundário, nada mais que um dia em que um outro JC qualquer faz aniversário.
Claro que este ano veio também a preocupada correlação entre esta JC, aniversariante de Dezembro, e AQUELE JC, também aniversariante de Dezembro, e todas as complicações em sua vida após os 33 anos. Ou seja, até que eu complete 34, não passo nem perto de cruzes! Nem sinal da cruz! Nem ponto-cruz! Cruz-credo!

Além de envolvida com a organização da maior festa do ano de Aberdeen (o que não chega a ser um fato memorável. Qualquer reunião de gatos-pingados que passe das duas da manhã já está concorrendo ao título), também estou às voltas com a busca de um lugar para morar. Sim, eu sou agora uma sem-teto. Mas sem-teto no Reino Juntinho. Coisa chique.
Tenho certeza que todos já passaram por isso alguma vez na vida: a busca do apartamento perfeito. Quando o apartamento é bom, o lugar é ruim. Quando o lugar é bom, o apartamento é horrível. Quando o lugar é bom e o apartamento consegue abarcar todas as suas coisas, então o aluguel é incompatível com suas finanças. Resumindo: um saco. E pensar no trabalhão de empacotar/desempacotar os bagulhos depois que encontrar um lugar habitável não ajuda nada...

Resolvi dar um tempo nessa busca insana e preparei a mega-festa de aniversário. Que deve ter sido muito boa, mas ninguém se lembra. A quantidade de álcool consumida é comparável à produção anual de uma pequena destilaria, e a variedade de tipos e países de origem também imipressiona: cervejas belga, mexicana, reino-unidense e holandesa, rum venezuelano, aguardente colombiana, a África representada pela conhecida Amarula, um licor ucraniano (!!!), vinho francês e italiano, além dos óbvios whisky escocês e cachaça brazuca.
O problema com o meu aniversário é que eu nasci no dia errado. Comemorando por 14 horas seguidas, me sobra pouco tempo depois para limpar a bagunça, descansar, limpar o corpo e purificar a alma para o Natal. Fácil compreender porque esta página veio atrasada.

O Natal, geralmente uma data mais tranquila para mim, que passo com a família, aquela ceia tradicional à base de peru, pernil e chester caramelizado que deixa todo em ritmo de jibóia depois de engolir uma rês, é meu período de concentração para o Ano Novo – mesmo porque, com minha filosofia de não comer carne de bicho morto, a orgia alimentar não me afeta e eu estou totalmente refeita no 31 de Dezembro, quando respeitosamente rendo minhas homenagens à rainha do mar, pulo sete ondinhas, faço meus desejos, como doze uvas, abro o champanhe e cerimoniosamente enfio o pé na Jaque. Depois das duas da manhã eu volto para casa abrindo doze champanhes, fazendo sete uvas e pulando 31 despachos.
Longe de casa, fui apresentada ao tradiciional Natal colombiano. Cujas músicas natalinas são em ritmo de salsa (quem quiser saber como é, aqui vai o link para a mais cantada, arbolito de navidad: http://www.youtube.com/watch?v=1KOBeUxUyqI) e a ceia é seguida de uma tradicionalíssima rumba.
Até de manhã.

Resumo da ópera: meu descanso pós-aniversário vai ficar mesmo é pra Quaresma.
É isso aí, galera! Feliz Ano Novo! Boas Festas! E vamos que vamos!

Jaqueline Costa
Procurando o Bom Velhinho, Silvio Santos

ELA VOLTOU!

Pra quem andava com saudades da Sueca Peituda, que se afastou das páginas do diário depois que saiu do apartamento, eis que ela retorna das cinzas!
Estava eu, lépida e fagueira, escrevendo a página 26 do diário, quando ela apareceu ao meu lado, para chorar suas mágoas com seu equipamento que não funciona nem cantando 'quer boleteeee? Toma bolete! Toma bolete!"
Ela estava aqui, agorinha, cinco minutos atrás. Contando as histórias. Coitadinha, como é triste. E eis que eu vejo enojada que ela precisa urgentemente limpar o nariz.
Ai Deusa, o que foi que eu fiz de errado?????

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Recarregando Baterias

Ultra-mega evento de aniversário. Ainda estou me recuperando. Prometo colocar as fotos e os detalhes em breve.
Assim que a preguiça abandonar este corpitcho...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Escala em São Paulo

A Inexplicável Animosidade Entre Sampa e Eu

Definitivamente, São Paulo não gosta de mim.

Eu sempre desconfiei do fato dado que, em anos e anos de interação, a única coisa boa que eu recebi do estado foi uma irmã Paulixta. Certo que ela compensa, de longe, todas as aguras que passei. Mas a bem da verdade, sua ‘tecnologia de fabricação’ foi trazida de outro estado...

Nas incontáveis vezes que já pisei em solo paulista, 90% delas o tempo estava nublado ou chuvoso. Até aí, Neves, dirão vocês. Afinal, o que esperar de SP senão tempo nublado sujeito a chuvas?
Mas isto não é tudo. Em todos esses anos de alma nômade, as únicas vezes em que minha bagagem se extraviou foram quando fiz escala por São Paulo. Na primeira delas, ainda tive como saldo uma alça quebrada na mala.
O único namoro com um legítimo representante da terra da garoa que tive terminou por total ausência de entendimento: nós nunca chegamos à conclusão sobre quem era o idiota da relação. E aquele suspense me matava!

Agora, em mais uma ingênua tentativa de passar incólume pela capital financeira do meu país, mais uma vez eu fui brindada com essa intolerância invisível, embora quase palpável, de Sampa para com esta escriba.
Primeiro, na breve passagem por lá, a caminho de Santiago, perderam (oh! Surpresa!) minha bagagem. Já conhecedora de todos os procedimentos cabíveis, encaminhei-me ao balcão da empresa aérea, deixei nome e telefone de contato, e segui para o shopping para uma compra emergencial de roupas.
A volta seria mais traumática.

Escala em SP a caminho do Rio. Despacho malas na capital chilena direto para o aeroporto do Galeão/RJ, a fim de economizar tempo e pernas em SP, evitando assim a retirada das malas apenas para despachá-las novamente. Como em Santiago eu recebi os dois cartões de embarque (Santiago-Guarulhos e Guarulhos-Galeão), ao chegar em São Paulo fui direto para o portão de embarque.
Lá me disseram que eu precisava voltar ao check-in da TAM para trocar o boleto.
Ok, lá vamos nós para o balcão da TAM. Já no check-in, e como gata escaldada que sou (aliás, esta é a única forma de me definir como ‘gata’, então eu não vou desperdiçar a oportunidade!), aviso ao tiozinho do balcão que tenho dois volumes que foram despachados em Santiago para o Rio. Para minha surpresa, e a despeito do que tinham me informado em Santiago, ele diz que eu tenho que voltar, retirar as malas, e despachar de novo!
Ai, Jesus, Maria, José e o burrico! Vou ao balcão da LAN – minha passagem era um Frankenstein aéreo. Eu comprei pela Air France, mas voei AF, TAM e LAN – e os funcionários, depois de vários minutos, aparecem com meus pacotes.

Volto ao balcão da TAM para despachar a bagagem. Para quem conhece o aeroporto de Guarulhos, dá já para calcular o quanto esse ir e vir significa em passadas. Se eu tivesse um cartão de fidelidade do aeroporto, já teria milhagens suficientes para voltar de graça para minha casa na Grande Britânia, esta nação fabricante de ventiladores!
Malas entregues e boarding pass trocado, sigo novamente para o portão de embarque. E o tiozinho me pára de novo, para me informar, como se fosse uma novidade muito grande para mim, que eu tenho três garrafas na minha maleta de mão. Sim, três garrafas de vinho, lacradas. As mesmas três garrafas que saíram do Chile, na mesma maleta. De mão.
Do Chile pra SP pode, de SP pro Rio, não.
O paraíba me perguntou se eram garrafas do Duty Free. Não, mas qual a diferença?
Do Duty Free pode.

Ele então me explicou que eu não podia levar na bagagem de mão porque era um embarque pelo setor internacional. Sim, eu disse, mas eu estou vindo do Chile, com esta mesma bagagem de mão, insisti. E ele “ah, é, mas é que aqui é embarque internacional”.
Eu perguntei pra ele em que estado do Brasil ele acha que fica o Chile...

Volto para o balcão da TAM. Peço para lacrar e etiquetar com frágil minha maleta. De volta para o setor de embarque. Embarque às 20:30h, no portão 4A. E estava eu ali, esperando pelo embarque e já pensando nesta página do diário quando, às 20:30h, uma voz avisa de sopetão que, por questões de rearranjo (cósmico, presumo eu), o embarque tinha sido transferido para o portão 11A. E era, obviamente, embarque imediato.

Acelerando minhas passadas em mais um momento fast forward de minha vida, vou conferindo os portões: 7, 8, 9, 10... e descubro também que Guarulhos deve ser o único aeroporto em que o 11 vem depois do 13! ! !

Jaqueline Costa
Não é Paulixta

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O Último Titã

Buscando o Lendário e Imaginário Monstro de Loch Ness

Aberdeen, embora seja a terceira maior cidade da Escócia, tem parcos 200 mil habitantes. Pequena assim, as opções de diversão são totalmente exploradas em menos de um mês. Resumindo em duas frases:

  1. Se Aberdim é a terceira, não quero nem imaginar a quarta!
  2. Fim-de-semana sem embarque é sinônimo de “vamos inventar algo para fazer”.

Eu ainda arrastava comigo os resquícios de ressaca da estada Brasil/Chile quando o fim-de-semana apresentou-se livre para mim e para minha amiga colombiana, fiel escudeira de aventuras highlandesas.
A proposta: ir até Inverness, cidade onde se encontra o lago Ness, tão famoso pela lenda do monstro-serpente que habita suas águas. Serpente lacustre, porque pra ser marinha teria que ir um pouco mais pra fora. Viajando de carro, para conhecer realmente as Highlands (que, para quem não sabe, são apenas uma parte, e não toda a Escócia. Aberdeen seria, digamos, parte das Mediumlands. Ou Boringlands, ainda estou pesquisando essa parte) e, de quebra, as destilarias pelo caminho Coisa que eu nem gosto, só fui para poder escrever este relato a vocês, porque sou uma alma gentil e caridosa.
Na véspera de botar o pé na estrada, fomos ao supermercado Mega-Seu-Manel-da-Padaria da esquina para comprar víveres, já que iríamos acampar na beira do lago. Entre uma barra de cereal e outra, eis que divisamos a super-promoção da semana: 12 garrafas de cerveja belga, a nossa querida Stella Artois, por meras 8 libras.
2 pares de olhos brilharam. E a proposta de um fim-de-semana saudável teve morte súbita.

De manhãzinha, apontamos nossos narizes (e o capot do carro) para o Norte e vamos que vamos! Primeira parada, Destilaria Glefinddich, lar do whisky homônimo. Agora tentem falar ‘homônimo’ e ‘Glefinddich’ com umas doses de whisky no carburador – já sabendo que isto seria impossível, falamos sobre o whisky durante a visita, e pra noite ia ficar mesmo assuntos mais comuns, com palavras mais simples.
Entre tonéis envelhecidos gigantes e sbroubles áreas e maneiras diferentes de fermentação de malte, sentíamos o nível alcoólico subir só pelo cheiro das salas. Claro que isso não melhorava a qualidade das piadas, mas para a salvação de nossa moral, ninguém ali entendia espanhol.
Até o final daquela noite, com a mistura etílica que faríamos, nem eu entenderia.

Aliás, nem a colombiana.

Entramos na sala escura onde a bebida é envelhecida. Diferentes tipos de madeira nos tonéis para dar diferentes sabores. Explicações feitas, o desafio: cheirar 3 barris diferentes e adivinhar qual whisky era 12, qual 16 e qual 21 anos.
Só digo uma coisa: se fosse pra acertar sabor de refrigerante eu estava danada. Mas na destilaria... eu deveria receber um salário por isso!
Final do passeio e degustação, que afinal nós viemos aqui pra beber E pra conversar, e voltamos ao ousado peugeot e reiniciamos a viagem. Próximo destino: Strathisla Distillery. Se não soou nenhum sino em sua cabeça, é apenas porque você bebeu pouco, mas é lá que se fabrica o famoso Chivas Regal.
Entre um whisky e outro, já era quase hora do almoço. E o dia estava lindo, e nós estávamos perto da praia. Desnecessário dizer, embicamos o carro na direção do litoral e tivemos um típico almoço latino: numa mesa na calçada, de biquini, e tomando chopp. Não tão gelado quanto me agradaria, mas não suficientemente quente para me deixar de mau humor. Até porque, só de olhar a cara de espanto dos locais, olhando aquelas duas figuras de frente pro sol usando biquini já rendia ótimas gargalhadas.
A um momento eu quase estendi minha mão a um dos passantes e disse “leve-me ao seu líder”.

Ao final da tarde, chegamos a Inverness. Uma agradável cidade que dá a impressão de ser muito maior que Aberdeen. Impressão falsíssima, sua população é de minguados quarenta e poucos mil habitantes. Um estádio de futebol, por assim dizer. E tudo ali respira Nessie. Bonequinhos, bonecões, revistas, livros, filmes, chapéus, chaveiros, a cerveja do monstro, lanterna pra buscar o bicho no escuro (uau! Mas que delícia!), relatos, fotos, postais, chá, biscoitos, quebra-cabeças, o baralho a quatro pra jogar sueca.
Se fosse no Brasil também teria samba-enredo e um carro-alegórico de 50 metros de altura empacado na entrada da cidade.
A noite já se anunciava, então fomos ao camping esticar nossos sacos de dormir e nos preparar para a caça ao monstro do dia seguinte.
‘Nos preparar’ significa basicamente tomar todas as cervejas trazidas e arrematar com o whisky comprado no meio do caminho. Se a intenção era ver monstro, já nem precisávamos mais ir até o lago.
O domingo amanheceu solidário à nossa ressaca, chuvoso e frio. Entramos no barquinho para o passeio pelo lago, e qual não foi a boa surpresa de ver que no barquinho tinha bar. Coronas em punho, vamos lá caçar essa cobra d’água!
Um sonar ligado mostrava a movimentação abaixo de nós, e dizia a profundidade, enquanto o narrador com seu sotaque de bárbaro escocês contava toda a lenda de Nessie. Para minha decepção, descubro que o ‘profundíssimo’ lago Ness tem, em seu ponto mais crítico, meros 300 metros de lâmina d’água. Ah, fala sério! Profundo de cu é rôla! Com essa piscininha Toni eles querem me enganar que eu vou ver serpente?

Pior: monstro escocês na água? Como se algum habitante destas paragens fosse chegado num banho!

Jaqueline Costa
Não viu o monstro

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fórmula 1

Vocês acham que foi ruim o Glock (que deve ser mesmo só 9 milímetros. E fino!) ter aberto a porta e as pernas na última curva, deixando o Hamilton passar e tirando o campeonato que já todos comemoravam das mãos do Massa?
Então experimentem viver tudo isso na Grà-Bretanha!
E sendo a única brasileira no trabalho!
Assisti a corrida entre latinos, mas foi só a bandeira quadriculada tremular para o piloto gameboy da McLaren para eu receber uma mensagenzinha engraçada de um cálega de siuviço. Inglês, óbvio.
Segunda de manhã, ainda de mau-humor com essa história, ainda ouço mais uns três marmanjos fazendo piadinhas. Pior, escoceses - ora, vão ver em que posição ficou o Coulthard!
Aí, quando achei que já tinha acabado a rodada de piadinhas, eis que meu futuro-novo-chefe, escocês, começa seu round. Que durou o dia todo. E eu educadinha já que era chefe...
Lá pela terceira gracinha, lembrei que ele não fala português e mandei tomar no cu. Ora pílulas!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Depois eu que sou portuguesa...

Only two things are infinite, the universe and human stupidity, and I'm not sure about the former
Einstein

Eu preciso tirar minha carteira de motorista reino-unidense, porque, após um ano morando nesta aprazível terra, sou considerada moradora fixa e não posso mais dirigir apenas com minha licença internacional.
Para dar início aos trâmites legais, tenho que mandar um formulário preenchido, fotos e um documento de identidade, que pode
1) Carteira de Identidade UK
2) Passaporte UK ou Europeu
3) Passaporte internacional

Caso a pessoa esteja na opção 3, também precisa pedir que uma pessoa com endereço fixo em UK assine no verso das fotos enviadas, atestando que você é você. Detalhe: não pode ser parente, não pode viver na mesma casa, e essa pessoa precisa declarar que conhece você há pelo menos 2 anos.

Agora, vamos às contas: se você precisa tirar a carteira depois de um ano residindo aqui, onde é que você vai encontrar alguém que te conheça há dois anos ou mais?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Rádio Ligado no Blog

Não basta ser sincero, ter caráter, ser honesto
Gotta work, like Kirk e o Vulcano
Oh meu Deus, quanta luta, quanta luta, quanto treino,
Insistindo e brigando, quanta força, e doendo
Oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus...
Não seria mal, oh meu Deus
se eu fosse errado, eu sei
sustentado pelo mundo
A Etiópia é assim, o Subaquistão é assim...

(Il ne suffit pas d´être sincère, honête et avoir du caractère
Gotta work, like Kirk et il Vulcan
Ah mon dieu, que de lutte, que de lutte, d'entrainements,
insistant, se battant, que de force, malfaisante
Ah mon dieu, ah mon dieu, ah mon dieu
Ah! Ça ne serait pas mal, ah mon dieu
Si j'étais, c'est faux, je sais
entretenue par le monde
L'Ethiopie c'est ainsi, Le Subaquistan c'est ainsi...)

é que eu nasci pro trabalho
me arruma um trabalho
menos estranho...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Só o Cume Importa!

A subida – e a DESCIDA – de El Colorado

Até agora o diário estava light, coisas básicas como tomar um pisco sour aqui, um laxante acolá... mas férias com a Jaque é sinônimo de aventura, adrenalina, medo, muito medo!
Nem que seja medo da Jaque aparecer na sua casa. Mas que dá medo, dá!
Nossa viagem estava neste pé: conheceramos Viña del Mar e o Oceano Pacífico, esta incógnita para nós, amantes latinos do Atlântico; déramos uma passada na casa de Neruda, para um cafezinho; foto em frente ao estádio Sausalito; e várias muitas caminhadas ‘al rededor’ de Santiago, que então já conhecíamos como a palma suada de nossas mãos.
Faltava o mais importante: subir um dos ‘nevados’, ir a uma estação de esqui!
Havíamos marcado a subida a El Colorado para a manhã da sexta-feira, já que domingo era o dia em que a realidade bateria às portas avisando que a viagem acabou. Tudo combinado com o serviço ao turista perdido, e a van nos pegaria às sete da manhã, horário nada cristão, em frente ao hotel.
O dia amanheceu chuvoso. Aliás, tormentoso. E água em Santiago é sinônimo de nevasca nas montanhas. Depois de um bom par (ou trio) de horas esperando no Mc Donalds, o ‘seu motorista’ veio nos avisar que o passeio estava cancelado, as estradas estavam fechadas e o BigMac estava em promoção.
Só que eu sou vegetariana.
O passeio só não foi completamente perdido porque durante o tempo de espera PC e eu pudemos ver a seleção feminina de futebol avançar para as finais nas Olimpíadas, enquanto a Josie e a Tati puxavam um ronco num sofazinho maroto que havia na lanchonete.
Humildes turistas perdidos que somos, colocamos a viola no saco e a mochila nas costas, e fomos afogar nossas mágoas no Mercado Central, afinal não há tristeza que resista a uma tarde de compras arrematada com pisco sour.

Sábado de manhã, nova tentativa. Ivy e Miguel valentemente juntaram-se a nós neste desafio de conquistar a montanha de gelo. Conquistar de van, mas conquista é conquista!
Do pé da montanha até o cume, já que só o cume interessa, são contadas, através de placas, quarenta curvas-cotovelo. Depois da quadragésima, os santiaguenses cansaram ou a tinta acabou, mas as curvas seguiam firmes e fortes!
No início tudo era motivo para fotos, “uau’s”, “oh’s” e “ah’s”. Até que o gelo começou a aparecer não só nas cordilheiras à nossa volta mas também na estrada sob nós. Conforme subíamos, mais e mais carros páravam nos semi-acostamentos para colocar as correntes nas rodas. Menos o tiozinho da van, que, ousado, seguia o rumo como se estivesse pilotando um tanque do exército russo entre as geleiras da Sibéria.
Cada vez que a roda da van dava uma escapada, os rostos de Josie e Tati mais combinavam com a paisagem branca. Já naquela situação em que não lhe passaria nem agulha, Josie comenta com Tati, num fio de voz: - Por que ele não coloca a corrente? EU AJUUUUDO!
Tati, na mesma situação: - Eu tambéééem!
Para o alívio destas duas pessoas tão corajosas, na penúltima curva o tio colocou as ‘cadenas’.

E chegamos a El Colorado! Que fica à esquerda, ou à direita, de Valle Nevado. Depende de quantos pisco sours você tomou antes de subir, e a quem você pediu informação. Mas estávamos lá, a estação de esqui bombando, snowboarding, teleférico, saltos pra cá, neve espirrando pra lá...
Diante de tanta ação, pegamos uma mesa, uma rodada de pisco, e começamos a jogar truco.
‘Mas vocês subiram tudo aquilo, passaram todo aquele perrengue, só pra jogar truco?’ vocês hão de me perguntar. E orgulhosa respondo: NÃO! Também jogamos sueca, sambamos na neve, e fizemos guerra de bolas de neve, num memorável round “Todos Contra Tati”. Até churrasquinho arrumaram lá em cima. De carne congelada, eu presumo.

Claro que tudo que sobe, tem que descer. Mas pra baixo todo santo ajuda, a gente tem essa falsa idéia.
Bem, o problema é que, com neve, quando o santo ajuda, atrapalha. E, na hora em que os carros começaram a descer, começaram também os acidentes. Freia um carro sobre o gelo, que eu quero ver! E, se a subida nos tomou quase três horas, a descida nos levou as últimas seis horas do dia. Felizmente, como bons farofeiros que somos, tínhamos conosco um suprimento de biscoitos apenas superado pelo estoque da Nabisco, e fome não foi o problema.
Problema mesmo é que aquela van parecia mais uma ambulância ortopédica, e ficar na mesma chata posição durante seis horas estava fazendo maravilhas para meu tornozelo e meu joelho. Mas quem sou eu pra reclamar, já que a van tinha o isolamento da porta quebrado, e todo o ventinho gelaaaado do morro tratava de fazer a crioterapia em meus membros inferiores.
Entre uma cãimbra e outra, os planos de voltar a El Colorado. Dessa vez, quem sabe, pra passar um fim de semana, fazendo um legítimo pagodão brasileiro. Afinal, com neve ou sem, morro é morro...

Jaqueline Costa
Sentindo saudades de Santiago

Uma Emocionante Saga em Busca da Piada Perfeita

"As Páginas do Díário" surgiram meio por acaso, da união de minha paixão por escrever com a necessidade de responder a meus vários muitos amigos a eterna pergunta que não raro pululava em minha mailbox: "onde é que você tá, mulher?"
Pra não responder um por um, os relatos das viagens foram iniciados, e enviados para uma lista de amigos. Um interessante efeito bola-de-neve começou, com amigos mandando os textos para outros amigos, e a lista foi aumentando. Com tanta gente que nem me conhece querendo ler as besteiras que escrevo, só posso concluir uma coisa: como tem gente boba neste mundo! ! !
Para não correr o risco de perder os textos, resolvi colocar tudo na net, para referências futuras, que não serão aceitas como prova por nenhum juiz.
Claro que isto não significa que vou deixar de mandar as páginas do diário por email para meus diletos, seletos, concretos e infelizes leitores!

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