Meu Primeiro Contato Africano
Quem tem acompanhado direitinho estas aventuras, lembra que na página 42 eu fiz um salto espaço-tempo e contei que já não trabalho mais na Escócia. Deixei de lado as buscas infrutíferas pelo monstro do lago e optei por safáris reais e muito mais radicais.
Meu primeiro trabalho no continente africano foi em Moçambique.
A capital de Moçambique, pra quem não sabe, é Maputo. Daria milhões de piadas se eu tivesse sequer passado por lá.
Não, meu destino era mais, digamos, selvagem. Era tão no meio do nada que GPS não funcionava.
O que não chega a ser uma diferença grande na minha vida, já que eu sempre fui uma perdida.
O legal da minha estadia em Moçambique foi a interação com os locais – tendo um idioma de vantagem sobre os gringos, eu pude ouvir as histórias mais engraçadas da viagem.
Cheguei a Moçambique por um aeroporto alternativo. Era tão alternativo que não me impressionaria se o fiscal vendesse maconha. Depois das formalidades alfandegárias – que se resumem a pagar 20 dólares pra ter um visto – entramos na van que nos levaria floresta adentro até o campo em que iríamos trabalhar.
Vocês não leram errado nem eu exagerei na última frase.
A van era dirigida por Maurício. Um dos sujeitos mais engraçados que já conheci.
Nas duas horas que separavam o campo do aeroporto, Maurício me contou uma boa parte da sua vida. Entre outras histórias, me revela Maurício que tem 18 irmãos!
Novamente, meus caros: vocês não leram errado nem eu exagerei na última frase.
Quando boquiabertíssima perguntei “como”, ele me disse que seu pai era muito romântico... até tinha uma fita do Roberto Carlos!
Ah, assim sim, tá explicado...
Maurício também se dizia um homem muito romântico. E que um dia teve uma namorada italiana linda que apareceu em Moçambique. Segundo ele, a ragazza ficou tão apaixonada que queria levá-lo com ela pra Itália de qualquer modo. E ele só nao foi porque teve medo do ex-namorado italiano dela, que era feiticeiro.
Eu não quis ofender meu amigo dando uma sonora gargalhada.
Minha estadia em Moçambique teve seus percalços. Um calor da porra por lá, e eu estava no meio da roça - se é que em Moçambique existe alguma coisa que não seja roça. Enfim. A poeira grudava que era um espetáculo, me obrigando a lavar a cabeça todos os dias. Obviamente, não havia trago comigo o estoque de shampoo e condicionador necessário a estas condições climáticas.
Fui até o povoado que eles chamam de cidade para comprar artigos de 1a necessidade - um par de havaianas, sabonete.... condicionador?
Claro que não há aqui, sendo o AQUI do tamanho da África, o condicionador q eu uso. Mas eu precisava de ALGUMA coisa. A simpática dona da vendinha me mostrou um lá qualquer. Ok, beleza, era pra cabelos normais. Embora pela minha mente tenha passado a pergunta 'normal pra quem?', fiz que iria levar.
Aí a moça, super solícita, fala “esse é muito bom”.
Eu: “ok, vou levar”.
Ela continuou: “é muito bom sim. EU USO ESSE”.
Aí eu olhei bem pro cabelo dela........... e eu pergunto, nessas horas, você faz o quê? DEVOLVE?
No acampamento em que eu estava havia um quadriciclo. Depois de alguns dias de trabalho, tendo feito amizade com o bigboss do acampamento, já podia usar o quad pra dar uma volta pelo mato e procurar algum bicho para fotografar. Qualquer coisa serviria, mas depois de dias andando pelas mais diferentes trilhas, os únicos bichos que se aproximaram foram os mosquitos. Cheguei à conclusão de que meu repelente devia ser pra bicho grande...
Aliás, meu spray anti-insetos definitivamente não estava funcionando. As moscas até pareciam ficar mais alegrinhas quando tomavam uma jateada do tal veneno. Resolvi apelar. Usei WB-40.
Recomendo fortemente.
Jaqueline Costa
Hakuna Matata
domingo, 13 de junho de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
Só ilustrando o post anterior...
Das Schukrute!
Cerviajando pela Alemanha
Resolvi aproveitar a estadia da Pequena Infante comigo e os dias livres que tirei para com ela ir visitar uma cara amiga que com seu marido se mudou do Brasil para a Alemanha. Quer dizer, cara amiga ela era quando vivia no Brasil. Agora em terras germânicas respirando em euros, diria que seu status está próximo da extorsão.
Voamos de Apertinho a Paris, pela Air France. Ou Air Chance, por que sempre há uma chance de:
a) Eles perderem sua bagagem
b) Seu vôo atrasar
c) Seu vôo ser cancelado
Depois de girada a roleta, nos coube a alternativa C. Assim que em lugar de sair do Reino Juntinho em direção à cidade-luz no sábado à noite, fomos remanejadas para o domingo de manhã. Bem, faz parte. Tirando o aborrecimento e o fato de ter de conseguir novos tickets de trem para a terra da cerveja (gelada, nós esperávamos), tudo estava bem.
Nosso destino era Köln, ou Colônia, pitoresca cidadezinha alemã de que todos já ouvimos falar mas nunca sabemos porque. Depois de muito puxar pela memória, alguém aí certamente vai pensar nas Águas de Colônia. E vai descartar imediatamente achando que foi uma associação estúpida.
Foi não. São de lá mesmo.
O interessante de se viajar de trem é que você percebe claramwente a mudança na arquitetura quando sai de um país e entra em outro. Tá, tudo bem, essa mudança não é tão aparente na fronteira França-Bélgica. Aliás, considerando a continuidade na arquitetura, o gosto por queijos e que o idioma é o mesmo, eu sou pessoalmente a favor de que a França anexe o país vizinho.
Qualquer um que já tenha jogado WAR vai concordar que isso simplifica a geografia e a vida do Exército Azul.
Uma vez na Alemanha, no entando, o câmbio salta aos olhos: as torres ficam mais pontudas, os tijolinhos vermelhos se reproduzem qual gremlins sob as águas de março, e os pastores alemães latem com sotaque.
Já em Köln, tendo sido cortesmente recebidas por meu casal de amigos na estação de trem da cidade, e após largar bolsas e malas na casa deles, passamos para o reconhecimento de terreno, atividade que pra ter graça tem que ser a pé.
E pra ter mais graça aiinda você tem que perguntar a história da cidade pra sua amiga, que ainda não sabe direito.
Mas quem acha que Köln apenas tem as tais águas para oferecer, engana-se germanicamente! Você também pode desfrutar de um gostoso passeio à beira do rio, divertir-se lendo inscrições em cadeados e correntes presos a uma ponte por casais enamorados, numa tradição que remete à cidade italiana de Florença e a ponte Vecchia (não me perguntem QUE cidade começou a brincadeira. Eu não saberia dizer. Nem minha amiga, creio. Mas aposto na Itálila). E uma igreja em estilo gótico, a catedral de Köln, que abriga em sua torre o maior sino do mundo. Pena que para vê-lo você tenha que galgar os quinhentos e trinta e três degraus da igreja.
E se vocês pensam que o fato de eu ser manqueta, ter brownquite, a torre da igreja ser aberta e estar chovendo impediu a escrota da minha amiga e a corna da minha irmã de me arrastarem escadaria acima, HÁ!
Definitivamente está na hora de rever meus relacionamentos.
A surpresa maior veio quando, alcançada a tal da Torre e após a pausa para me despedir oficialmente do meu pulmão, pedimos ao tiozinho que na guarita ficava vigiando o sino gigantesco (não sei se para ele não fugir ou medo de alguém querer levar um souvenir de trocentas toneladas no bolso. Lógica alemã nem sempre é simples de seguir) que tirasse uma foto nossa – e o simpático senhor nos responde em português, com aquele sotaque carregado vindo d’além mar e ‘trás dos montes!
A raça lusitana é definitivamente uma praga...
Jaqueline Costa
Chegou à conclusão que cerveja boa é a nacional. Da Alemanha
Resolvi aproveitar a estadia da Pequena Infante comigo e os dias livres que tirei para com ela ir visitar uma cara amiga que com seu marido se mudou do Brasil para a Alemanha. Quer dizer, cara amiga ela era quando vivia no Brasil. Agora em terras germânicas respirando em euros, diria que seu status está próximo da extorsão.
Voamos de Apertinho a Paris, pela Air France. Ou Air Chance, por que sempre há uma chance de:
a) Eles perderem sua bagagem
b) Seu vôo atrasar
c) Seu vôo ser cancelado
Depois de girada a roleta, nos coube a alternativa C. Assim que em lugar de sair do Reino Juntinho em direção à cidade-luz no sábado à noite, fomos remanejadas para o domingo de manhã. Bem, faz parte. Tirando o aborrecimento e o fato de ter de conseguir novos tickets de trem para a terra da cerveja (gelada, nós esperávamos), tudo estava bem.
Nosso destino era Köln, ou Colônia, pitoresca cidadezinha alemã de que todos já ouvimos falar mas nunca sabemos porque. Depois de muito puxar pela memória, alguém aí certamente vai pensar nas Águas de Colônia. E vai descartar imediatamente achando que foi uma associação estúpida.
Foi não. São de lá mesmo.
O interessante de se viajar de trem é que você percebe claramwente a mudança na arquitetura quando sai de um país e entra em outro. Tá, tudo bem, essa mudança não é tão aparente na fronteira França-Bélgica. Aliás, considerando a continuidade na arquitetura, o gosto por queijos e que o idioma é o mesmo, eu sou pessoalmente a favor de que a França anexe o país vizinho.
Qualquer um que já tenha jogado WAR vai concordar que isso simplifica a geografia e a vida do Exército Azul.
Uma vez na Alemanha, no entando, o câmbio salta aos olhos: as torres ficam mais pontudas, os tijolinhos vermelhos se reproduzem qual gremlins sob as águas de março, e os pastores alemães latem com sotaque.
Já em Köln, tendo sido cortesmente recebidas por meu casal de amigos na estação de trem da cidade, e após largar bolsas e malas na casa deles, passamos para o reconhecimento de terreno, atividade que pra ter graça tem que ser a pé.
E pra ter mais graça aiinda você tem que perguntar a história da cidade pra sua amiga, que ainda não sabe direito.
Mas quem acha que Köln apenas tem as tais águas para oferecer, engana-se germanicamente! Você também pode desfrutar de um gostoso passeio à beira do rio, divertir-se lendo inscrições em cadeados e correntes presos a uma ponte por casais enamorados, numa tradição que remete à cidade italiana de Florença e a ponte Vecchia (não me perguntem QUE cidade começou a brincadeira. Eu não saberia dizer. Nem minha amiga, creio. Mas aposto na Itálila). E uma igreja em estilo gótico, a catedral de Köln, que abriga em sua torre o maior sino do mundo. Pena que para vê-lo você tenha que galgar os quinhentos e trinta e três degraus da igreja.
E se vocês pensam que o fato de eu ser manqueta, ter brownquite, a torre da igreja ser aberta e estar chovendo impediu a escrota da minha amiga e a corna da minha irmã de me arrastarem escadaria acima, HÁ!
Definitivamente está na hora de rever meus relacionamentos.
A surpresa maior veio quando, alcançada a tal da Torre e após a pausa para me despedir oficialmente do meu pulmão, pedimos ao tiozinho que na guarita ficava vigiando o sino gigantesco (não sei se para ele não fugir ou medo de alguém querer levar um souvenir de trocentas toneladas no bolso. Lógica alemã nem sempre é simples de seguir) que tirasse uma foto nossa – e o simpático senhor nos responde em português, com aquele sotaque carregado vindo d’além mar e ‘trás dos montes!
A raça lusitana é definitivamente uma praga...
Jaqueline Costa
Chegou à conclusão que cerveja boa é a nacional. Da Alemanha
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Viajando com Crianças no Banco de Trás
A Pequena Infante na Europa
Minha Pequena Infante, como todos sabem (ou deveriam saber) não perde uma oportunidade de me ver, especialmente se aliado a isto estiver conhecer um lugar novo e completamente diferente.
Eu me concentro na parte de que ela não perde uma oportunidade de me ver.
Marcadas suas férias para o outono europeu, e tudo que ela pediu foi conhecer uma destilaria de whisky e uma visita à Eurodisney. Qualquer coisa além ela iria tratar como bônus. E assim foi.
Infelizmente nem tudo é um mar de rosas no mundo do petróleo, e dois dias antes da Pequena pisar em solo europeu, eu fui mandada para outro trabalho offshore. Mas como quem tem padrinho não morre pagão, e quem tem amigos não morre pagando, consegui que a visita à destilaria fosse feita já no seu primeiro fim-de-semana aberdoniano.
Por razões óbvias, não posso dar detalhes do assunto. Quem quiser, pergunte à própria. Acho que vergonha demais ela não fez, já que nem na delegacia ela foi parar.
Volto de meu trabalho e depois de algumas incursões aos pubs característicos de Averdinho, e depois de alguns dias fazendo a jaca de pantufa, pegamos o valente Pumba e seguimos estrada rumo Norte. Destino: Inverness e mais uma busca ao monstro do lago...
Enquanto esperávamos o barquinho que nos levaria à caça no lago, minha irmã comenta sobre o cheiro que sentia das águas do pier: “aqui deve ser o banheiro do monstro!”
Bem, como vocês já sabem (se não sabem, olhem as páginas antigas) eu já havia feito esse tour pelo lago, e embora tenha visto muitos monstros escoceses já, ainda não encontrei nenhum na água. Então quando o barquinho fez sua parada para a visita ao castelo de Urquhart (palavra que no dialeto dórico usado na região significa “caralho, minha garganta dói quando eu falo isso”) que fica às margens do lago, ao descer no pier apontei para a moderna construção no alto da colina e disse:
- Sabe, pelo certo a gente deveria ir láááá em cimia para comprar as entradas para o castelo...
Minha irmã, usando sua lógica que lhe dizia que
1. Isso não faz sentido, uma vez que não há ninguém na porta do castelo pedindo entradas
2. O castelo fica para o outro lado
3. Eu sou uma puta sacana
Imediatamente replica:
- Claro que não, Jaque.... as entradas estão inclusas no preço do passeio...
Eu, que já então vivia havia quase 2 anos em terras highlandesas e já conhecia o jeito deles, falei:
- Não, é sério.... olha.... leia a plaquinha na saída do pier... e perceba que as pessoas vão subir...
Minha irmã olhava atônita. A placa, é verdade, diz que para comprar as entradas para visitar o castelo há que ir para o pequeno centro turístico no topo da colina. Mas não há ninguém checando isso, nem na saída do pier nem na entrada do castelo.
- GEEEENTE.... e o povo vai!!!!
Bem, como eu disse pra ela, a primeira vez eu não fazia idéia, só atentei para a placa no pier quando já estava de saída. Entrei sem pagar, mas foi sem intenção.
A segunda vez já foi para manter a tradição.
E a minha dignidade marginal.
Jaqueline Costa
Um dia toma vergonha. Por enquanto, só cerveja
Minha Pequena Infante, como todos sabem (ou deveriam saber) não perde uma oportunidade de me ver, especialmente se aliado a isto estiver conhecer um lugar novo e completamente diferente.
Eu me concentro na parte de que ela não perde uma oportunidade de me ver.
Marcadas suas férias para o outono europeu, e tudo que ela pediu foi conhecer uma destilaria de whisky e uma visita à Eurodisney. Qualquer coisa além ela iria tratar como bônus. E assim foi.
Infelizmente nem tudo é um mar de rosas no mundo do petróleo, e dois dias antes da Pequena pisar em solo europeu, eu fui mandada para outro trabalho offshore. Mas como quem tem padrinho não morre pagão, e quem tem amigos não morre pagando, consegui que a visita à destilaria fosse feita já no seu primeiro fim-de-semana aberdoniano.
Por razões óbvias, não posso dar detalhes do assunto. Quem quiser, pergunte à própria. Acho que vergonha demais ela não fez, já que nem na delegacia ela foi parar.
Volto de meu trabalho e depois de algumas incursões aos pubs característicos de Averdinho, e depois de alguns dias fazendo a jaca de pantufa, pegamos o valente Pumba e seguimos estrada rumo Norte. Destino: Inverness e mais uma busca ao monstro do lago...
Enquanto esperávamos o barquinho que nos levaria à caça no lago, minha irmã comenta sobre o cheiro que sentia das águas do pier: “aqui deve ser o banheiro do monstro!”
Bem, como vocês já sabem (se não sabem, olhem as páginas antigas) eu já havia feito esse tour pelo lago, e embora tenha visto muitos monstros escoceses já, ainda não encontrei nenhum na água. Então quando o barquinho fez sua parada para a visita ao castelo de Urquhart (palavra que no dialeto dórico usado na região significa “caralho, minha garganta dói quando eu falo isso”) que fica às margens do lago, ao descer no pier apontei para a moderna construção no alto da colina e disse:
- Sabe, pelo certo a gente deveria ir láááá em cimia para comprar as entradas para o castelo...
Minha irmã, usando sua lógica que lhe dizia que
1. Isso não faz sentido, uma vez que não há ninguém na porta do castelo pedindo entradas
2. O castelo fica para o outro lado
3. Eu sou uma puta sacana
Imediatamente replica:
- Claro que não, Jaque.... as entradas estão inclusas no preço do passeio...
Eu, que já então vivia havia quase 2 anos em terras highlandesas e já conhecia o jeito deles, falei:
- Não, é sério.... olha.... leia a plaquinha na saída do pier... e perceba que as pessoas vão subir...
Minha irmã olhava atônita. A placa, é verdade, diz que para comprar as entradas para visitar o castelo há que ir para o pequeno centro turístico no topo da colina. Mas não há ninguém checando isso, nem na saída do pier nem na entrada do castelo.
- GEEEENTE.... e o povo vai!!!!
Bem, como eu disse pra ela, a primeira vez eu não fazia idéia, só atentei para a placa no pier quando já estava de saída. Entrei sem pagar, mas foi sem intenção.
A segunda vez já foi para manter a tradição.
E a minha dignidade marginal.
Jaqueline Costa
Um dia toma vergonha. Por enquanto, só cerveja
sábado, 3 de abril de 2010
BereNice
Duas Brazucas na Riviera
Não por escolha minha, a estadia da Paulixta em minha casa chegava ao fim. Para findar em grande estilo, e já que ambas somos loucas por água, praticamente seres marinhos (quem falar baleia estará automaticamente cortado do diário e adicionado à Lista Negra da Jackie), procuramos uma praia para passar o último fim-de-semana.
Não tínhamos muitas opções – ela tinha o vôo de volta para casa saindo de Paris, e se tentássemos algum roteiro mais ousado, perigava passarmos mais tempo nos aeroportos que tostando ao sol europeu. Então nos acenava simpaticamente a Riviera Francesa. Como eu já conhecia Marselhe – desculpem se minha personalidade globalizada lhes agride – optamos por Nice. Malas prontas, biquinis a postos, seguimos então para nosso encontro com o Astro-Rei e realizar um upgrade em nossos bronzeados.
Escala em Paris, como sempre. Uma escala um tanto apertada, mas não seria nada de mais. Não seria, se a fiscal do aeroporto tivesse ido com a minha cara. O que não foi o caso. Não sei se meu semblante a la talibã deixou a moça encucada, mas o fato é que ela resolveu tirar tudo da minha pequena maleta de mão, única bagagem que eu carregava. E por tudo eu quero dizer TUDO MESMO. Quase ofereci a ela uma chave de fendas pra desaparafusar as rodinhas....
Como eu disse, a escala era apertada. Ou seja que quando a moça se convenceu que eu não era uma mulher-bomba, ou pelo menos não no sentido literal da expressão, nós estávamos atrasadas. Enfiei as roupas do jeito que pude de volta na mala e saímos correndo para o portão de embarque. Ainda me pergunto se na pressa não deixei alguma lingerie de recordação pra fiscal. Felizmente para a saúde dela, nós conseguimos pegar o vôo e seguimos para nosso verdadeiro destino.
Agora, quem acompanha este diário desde os primórdios sabe que eu sou perseguida pela Maldição de Montezuma das viagens de avião, e que não é novidade para mim quando uma companhia aérea perde minhas malas. Mas por uma graça qualquer do Destino, todas as viagens feitas com a Paulixta foram incólumes, sem nenhuma ocorrência do tipo. Ela, claro, atribuiu tal fato à sua Sagrada Presença. Eu não contestei, afinal para que gerar outra rixa Rio-SP? Nös já temos as praias, a fama, o samba... acho justo que eles tenham sorte em despachar as malas.
Bem, chegamos a Nice. Embora minha bagagem se resumisse à pequena e naquele momento zoneada maleta de mão, a Paulixta tinha toda as malas que havia trazido para a Europa, turbinadas com as comprinhas feitas nas viagens. Fomos então para a esteira coletar suas coisas.
Que não chegaram....
E agora, um minuto de silêncio para apreciar a beleza que mora na ironia do Destino.
Já versada no assunto, segui com ela para o escritório da Air France. Descrevemos a bagagem perdida, deixamos o endereço do hotel que ficaríamos, pulamos num táxi e seguimos para o tal, afinal estávamos bastante cansadas e a fome era tanta que meu estômago pensava em abolir o vegetarianismo e comer um pedaço do meu fígado.
Deixamos no hotel minha solitária maleta e saímos em busca de um local para jantar. Escolhemos um restaurantezinho à beira do pier, e ali nos sentamos, vendo o movimento local. Eis que de repente minha Paulixta Preferida me olha e pergunta:
- Ainda estamos no reveillon??
Pois é... por algum motivo obscuro, ou obsclaro, 90% das pessoas estavam vestindo branco. Camisas, calças, sapatos, sandálias... pra tirar a dúvida sobre a data, esperamos até meia-noite pela queima de fogos.
O dia seguinte era de praia, claro. E bem aproveitado, eu diria. A paisagem era extremamente agradável, e a cerveja estava gelada. Nice é mais uma das cidades que justificam meu apelido de Excrota dado singelamente por meus amigos, baseado em fatos reais e lugares visitados....
Para dar mais munição aos meus diletos, resolvemos que aquela noite, assim, só de bobeira, iríamos jantar em Mônaco. Essa vidinha é muito chata mesmo.
Ir a Mônaco é o mesmo que entrar numa revista tipo Ricos e Famosos em 3D. Se você tem dinheiro apenas para comprar um Mercedes, não tente morar em Mônaco, você vai se sentir muito humilhado. Se a sua idéia de iate foi forjada em suas viagens a Angra dos Reis, não vá a Mônaco tampouco, poderia ter um infarto.
Encontramos um agradável restaurante com uma vista incrível do castelo, pier e ainda uma parte do circuito de Monte Carlo. Ali nos sentamos e, depois de babar mais um pouco com a paisagem, pedimos nossas tradicionais taças de vinho e começamos a falar sobre a cidade. Eu havia dito, logo que chegamos, que não sabia do que vivia Mônaco. Só a fórmula 1 e do tour de France, não sustentaria tanta coisa...
Entre uma taça e outra, a Paulixta manda:
- Você tem razão, Mônaco vive DO QUÊ? Não tem um reloginho, um jorro d’água, uma antena de rádio...
- É... só aquela cabaninha ali no mato onde se esconde a Stephannie...
A viagem infelizmente estava em seu final. Já fechando suas malas, a última dúvida de minha Amiga era com relação ao casaco pesado que ela tinha, já prevendo o frio que a esperava em sua volta ao Chile. Sem saber se o guardava ou não, ela me pergunta, inocente:
- E aí? Deixo o grosso na mão pra levar duma vez???
Só digo uma coisa.... não digo nada!!!
Jaqueline Costa
Vai colocar o diário em dia ... só não sabe que dia!
Não por escolha minha, a estadia da Paulixta em minha casa chegava ao fim. Para findar em grande estilo, e já que ambas somos loucas por água, praticamente seres marinhos (quem falar baleia estará automaticamente cortado do diário e adicionado à Lista Negra da Jackie), procuramos uma praia para passar o último fim-de-semana.
Não tínhamos muitas opções – ela tinha o vôo de volta para casa saindo de Paris, e se tentássemos algum roteiro mais ousado, perigava passarmos mais tempo nos aeroportos que tostando ao sol europeu. Então nos acenava simpaticamente a Riviera Francesa. Como eu já conhecia Marselhe – desculpem se minha personalidade globalizada lhes agride – optamos por Nice. Malas prontas, biquinis a postos, seguimos então para nosso encontro com o Astro-Rei e realizar um upgrade em nossos bronzeados.
Escala em Paris, como sempre. Uma escala um tanto apertada, mas não seria nada de mais. Não seria, se a fiscal do aeroporto tivesse ido com a minha cara. O que não foi o caso. Não sei se meu semblante a la talibã deixou a moça encucada, mas o fato é que ela resolveu tirar tudo da minha pequena maleta de mão, única bagagem que eu carregava. E por tudo eu quero dizer TUDO MESMO. Quase ofereci a ela uma chave de fendas pra desaparafusar as rodinhas....
Como eu disse, a escala era apertada. Ou seja que quando a moça se convenceu que eu não era uma mulher-bomba, ou pelo menos não no sentido literal da expressão, nós estávamos atrasadas. Enfiei as roupas do jeito que pude de volta na mala e saímos correndo para o portão de embarque. Ainda me pergunto se na pressa não deixei alguma lingerie de recordação pra fiscal. Felizmente para a saúde dela, nós conseguimos pegar o vôo e seguimos para nosso verdadeiro destino.
Agora, quem acompanha este diário desde os primórdios sabe que eu sou perseguida pela Maldição de Montezuma das viagens de avião, e que não é novidade para mim quando uma companhia aérea perde minhas malas. Mas por uma graça qualquer do Destino, todas as viagens feitas com a Paulixta foram incólumes, sem nenhuma ocorrência do tipo. Ela, claro, atribuiu tal fato à sua Sagrada Presença. Eu não contestei, afinal para que gerar outra rixa Rio-SP? Nös já temos as praias, a fama, o samba... acho justo que eles tenham sorte em despachar as malas.
Bem, chegamos a Nice. Embora minha bagagem se resumisse à pequena e naquele momento zoneada maleta de mão, a Paulixta tinha toda as malas que havia trazido para a Europa, turbinadas com as comprinhas feitas nas viagens. Fomos então para a esteira coletar suas coisas.
Que não chegaram....
E agora, um minuto de silêncio para apreciar a beleza que mora na ironia do Destino.
Já versada no assunto, segui com ela para o escritório da Air France. Descrevemos a bagagem perdida, deixamos o endereço do hotel que ficaríamos, pulamos num táxi e seguimos para o tal, afinal estávamos bastante cansadas e a fome era tanta que meu estômago pensava em abolir o vegetarianismo e comer um pedaço do meu fígado.
Deixamos no hotel minha solitária maleta e saímos em busca de um local para jantar. Escolhemos um restaurantezinho à beira do pier, e ali nos sentamos, vendo o movimento local. Eis que de repente minha Paulixta Preferida me olha e pergunta:
- Ainda estamos no reveillon??
Pois é... por algum motivo obscuro, ou obsclaro, 90% das pessoas estavam vestindo branco. Camisas, calças, sapatos, sandálias... pra tirar a dúvida sobre a data, esperamos até meia-noite pela queima de fogos.
O dia seguinte era de praia, claro. E bem aproveitado, eu diria. A paisagem era extremamente agradável, e a cerveja estava gelada. Nice é mais uma das cidades que justificam meu apelido de Excrota dado singelamente por meus amigos, baseado em fatos reais e lugares visitados....
Para dar mais munição aos meus diletos, resolvemos que aquela noite, assim, só de bobeira, iríamos jantar em Mônaco. Essa vidinha é muito chata mesmo.
Ir a Mônaco é o mesmo que entrar numa revista tipo Ricos e Famosos em 3D. Se você tem dinheiro apenas para comprar um Mercedes, não tente morar em Mônaco, você vai se sentir muito humilhado. Se a sua idéia de iate foi forjada em suas viagens a Angra dos Reis, não vá a Mônaco tampouco, poderia ter um infarto.
Encontramos um agradável restaurante com uma vista incrível do castelo, pier e ainda uma parte do circuito de Monte Carlo. Ali nos sentamos e, depois de babar mais um pouco com a paisagem, pedimos nossas tradicionais taças de vinho e começamos a falar sobre a cidade. Eu havia dito, logo que chegamos, que não sabia do que vivia Mônaco. Só a fórmula 1 e do tour de France, não sustentaria tanta coisa...
Entre uma taça e outra, a Paulixta manda:
- Você tem razão, Mônaco vive DO QUÊ? Não tem um reloginho, um jorro d’água, uma antena de rádio...
- É... só aquela cabaninha ali no mato onde se esconde a Stephannie...
A viagem infelizmente estava em seu final. Já fechando suas malas, a última dúvida de minha Amiga era com relação ao casaco pesado que ela tinha, já prevendo o frio que a esperava em sua volta ao Chile. Sem saber se o guardava ou não, ela me pergunta, inocente:
- E aí? Deixo o grosso na mão pra levar duma vez???
Só digo uma coisa.... não digo nada!!!
Jaqueline Costa
Vai colocar o diário em dia ... só não sabe que dia!
quarta-feira, 24 de março de 2010
Por que tanto tempo sem escrever?
Nem uma mísera página? Por quê? Por quê?
Quase ouço a multidão inquieta clamando....
Gente, por favor, não me matem.
Não me desejem mal.
Não xinguem minha mãe.
Não chutem meu cachorro.
Eu tento explicar.
Fui para o Brasil, de férias. Um espetáculo que será contado nas páginas, um dia....
O único problema da viagem foi que me roubaram o celular - em São Paulo, não no Rio!!! A-há!
E daê, vão perguntar vocês.
Daê que eu tenho uma rara patologia - CABIN FEVER. Ficar em casa me dá micose.
As páginas q vocês lêem eu rascunho no celular qdo estou na rua, tomando cerveja, de frente pra praia. E depois só edito no liplop.
Ou seja, o fdp me roubou o celular levou as páginas seguintes..... e eu fiquei chupando dedo.
Agora tenho reeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeescrever......
Quase ouço a multidão inquieta clamando....
Gente, por favor, não me matem.
Não me desejem mal.
Não xinguem minha mãe.
Não chutem meu cachorro.
Eu tento explicar.
Fui para o Brasil, de férias. Um espetáculo que será contado nas páginas, um dia....
O único problema da viagem foi que me roubaram o celular - em São Paulo, não no Rio!!! A-há!
E daê, vão perguntar vocês.
Daê que eu tenho uma rara patologia - CABIN FEVER. Ficar em casa me dá micose.
As páginas q vocês lêem eu rascunho no celular qdo estou na rua, tomando cerveja, de frente pra praia. E depois só edito no liplop.
Ou seja, o fdp me roubou o celular levou as páginas seguintes..... e eu fiquei chupando dedo.
Agora tenho reeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeescrever......
Deus Salve a Rainha
Porque até um peão pode comê-la!
Pra quem estava achando estranho eu passar tanto tempo no Reino Juntim e nunca ter mencionado a capital, o lar da Rainha, sonho de consumo de qualquer estudante de inglês, a explicação é simples: eu nunca havia ido lá...
Mas dessa vez, tendo companhia e alguém para compartilhar as piadas, a viagem foi planejada e implementada.
Já no aeroporto de Aberdeen a diversão começa. Nos encaminhamos para o balcão da Easyjet e eu entrego os dois passaportes para a atendente, explicando em inglês para onde iríamos. E sigo batendo papo em português com a Paulixta. Percebemos que a moça por trás do balcão olha diversas vezes para as fotos nos passaportes e para nós. Uma grande interrogação estampada em seu rosto.
Bem, cabe aqui uma pequena descrição, para os pobres infelizes que não tiveram ainda a sorte de nos conhecer ao vivo: ambas somos morenas, de cabelos cacheados e sorriso sempre à mostra. Ambas usamos óculos, embora nos passaportes as fotos não mostrem isso. E temos mais ou menos o mesmo fenótipo (caraca! Falei bonito agora! Minha professora de biologia do segundo grau iria ficar orgulhosa de mim).
Finalizado este pequeno instante estilo bate-papo Uol, voltamos à programação normal.
Eis que a moça se dirige a mim, um dos passaportes na mão, e pergunta qual era o sobrenome ali.
Como até então apenas eu havia falado com ela, e a Paulixta passou todo o tempo falando em português comigo, ao ver que o passaporte não era o meu, apenas imaginei que a moça pensou que minha correspondente estrangeira da terra da garoa não dominava o idioma anglo-saxão. Respondi então: 'nesse aí é Vita'.
Qual não foi minha surpresa quando então ela pegou o meu documento e, olhando pra Paulixta, perguntou: 'E o seu é...?'
Mordendo a língua para não rir, minha amiga responde e nós seguimos para a sala de embarque, comentando a situação.
Passados os minutos normais de espera, nos encaminhamos para o portão de embarque e quem ali estava, conferindo os passaportes?
Ela mesma...
Perguntei à minha curintiana se deveríamos entregar os documentos separadamente, pra moça perceber o engano. Minha amiga, esta alma bondosa e bem menos sacana que eu, disse:
- Pra quê, Jaque? A moça vai ficar com vergonha. Entrega junto...
Assim fiz eu. Mas a figura nem abriu os passaportes. Olhou pra gente e disse:
- Vocês não precisam. De vocês eu lembro!
Lembrar, lembra, eu disse pra Paulixta. Só não sabe quem é quem...
Londres é uma cidade pulsante. Tem muito menos charme que sua rival francesa para o titulo de capital da Europa, mas tem certamente mais energia. Como chegamos já tarde da noite de sexta, depois de largar as malas no hotel já nos despencamos para Picadilly Circus, a fim de jantar e dar uma espiada no underground londrino. Espiada muito muquirana, porque o dia seguinte seria longo e tínhamos um compromisso mútuo de acordar cedo para não perder nada.
E lá estavamos nós, mais uma vez encarando o desafio CONHEÇA UMA MEGALÓPOLE EM UM DIA. Com algum fôlego e muita disposição, nos embrenhamos na selva britânica, tirando fotos do Big Ben, da ponte e da Torre de Londres, visitando o Museu de Madame Tussauds, com as obrigatórias fotos pagando mico ao lado das estátuas de cera, dando uma passadinha na casa de Sherlock Holmes, fazendo um mini-cruzeiro pelo Tamisa e ainda o circuito no turibus - em que o guia, tão logo entramos, perguntou a todos se éramos fãs dos Beatles. Para quem não fosse, dizia o dublê de comediante e xiita, melhor descer do ônibus.
Fiquei na minha. Vejam bem, não é que eu não seja fã dos Beatles. Eu nem tenho nada contra eles. Só não suporto é quando eles começam a cantar...
Mais uma vez, paramos no Hard Rock. Paulixta e eu temos uma meta sem prazo definido para ser cumprida (só de ser comprida) de conhecer todos os restaurantes da rede. E o de Londres é, simplesmente, o primeiro! Emoção pouca é bobagem...
Deixamos o dia seguinte, quando teríamos poucas horas livres antes de ir para o aeroporto, para nos despedirmos da cidade com estilo: uma volta no London Eye para ver a cidade de cima, e depois atravessar os jardins do palácio de Buckingham para tirar umas fotos da casa da Rainha.
Fomos até o London Eye de metrô, que, aliás, é outra peça na luta Paris-Londres, cada cidade jurando que o seu é melhor, é maior, dá 3 sem tirar de dentro. Eu sinceramente acho tudo isso infantil e dispensável, afinal o que vale é o prazer que a viagem lhe proporciona. Mas, se é para dar minha opinião, aí vai: o minhocão londrino é mais limpo...
Os operadores do metrô também são mais radicais, não diminuem nas curvas e parece que o descarrilamento está a um suspiro de você - muita gente nem respira nesses momentos que é, imagino, pra não levar a culpa. Mas não nós. Acostumadas com os intrépidos dos asfaltos brasileiros e suas performances em ônibus, táxis e na entrega da pizza, mais achávamos graça das manobras, até que a Paulixta decifra o problema: o tio não consegue estacionar! Ele tá com problema de baliza!
Por sinal, ela foi de metrô a contra-gosto. Desde a aventura em Paris que ela fala que esse povo da Europa é tudo tatu, porque entre a entrada das estações e o ponto de pegar o trem em si, a gente anda uma média de 15 minutos.
Chegamos ao London Eye, pra quem não sabe, uma puta roda-gigante que leva meia hora para dar um giro completo, e na qual é possível ver toda a cidade - se você tiver mínimas condições de visão.
Não era, obviamente, nosso caso.
Estava eu tentando usar o zoom da câmera para me ajudar a reconhecer os pontos, quando minha Paulixta me pergunta, mostrando mais uma vez como ela esta acima dessas ostentações pequeno-burguesas:
- Vai tirar outra foto desse reloginho?
- Na verdade, eu estou procurando o palácio de Buckingham...
- Ah, deve ser aquela casinha ali no meio do mato...
Ela realmente não se deixa impressionar facilmente.
Jaqueline Costa
Se recusa a comentar a troca da guarda, pois foi ao som de Copacabana
Pra quem estava achando estranho eu passar tanto tempo no Reino Juntim e nunca ter mencionado a capital, o lar da Rainha, sonho de consumo de qualquer estudante de inglês, a explicação é simples: eu nunca havia ido lá...
Mas dessa vez, tendo companhia e alguém para compartilhar as piadas, a viagem foi planejada e implementada.
Já no aeroporto de Aberdeen a diversão começa. Nos encaminhamos para o balcão da Easyjet e eu entrego os dois passaportes para a atendente, explicando em inglês para onde iríamos. E sigo batendo papo em português com a Paulixta. Percebemos que a moça por trás do balcão olha diversas vezes para as fotos nos passaportes e para nós. Uma grande interrogação estampada em seu rosto.
Bem, cabe aqui uma pequena descrição, para os pobres infelizes que não tiveram ainda a sorte de nos conhecer ao vivo: ambas somos morenas, de cabelos cacheados e sorriso sempre à mostra. Ambas usamos óculos, embora nos passaportes as fotos não mostrem isso. E temos mais ou menos o mesmo fenótipo (caraca! Falei bonito agora! Minha professora de biologia do segundo grau iria ficar orgulhosa de mim).
Finalizado este pequeno instante estilo bate-papo Uol, voltamos à programação normal.
Eis que a moça se dirige a mim, um dos passaportes na mão, e pergunta qual era o sobrenome ali.
Como até então apenas eu havia falado com ela, e a Paulixta passou todo o tempo falando em português comigo, ao ver que o passaporte não era o meu, apenas imaginei que a moça pensou que minha correspondente estrangeira da terra da garoa não dominava o idioma anglo-saxão. Respondi então: 'nesse aí é Vita'.
Qual não foi minha surpresa quando então ela pegou o meu documento e, olhando pra Paulixta, perguntou: 'E o seu é...?'
Mordendo a língua para não rir, minha amiga responde e nós seguimos para a sala de embarque, comentando a situação.
Passados os minutos normais de espera, nos encaminhamos para o portão de embarque e quem ali estava, conferindo os passaportes?
Ela mesma...
Perguntei à minha curintiana se deveríamos entregar os documentos separadamente, pra moça perceber o engano. Minha amiga, esta alma bondosa e bem menos sacana que eu, disse:
- Pra quê, Jaque? A moça vai ficar com vergonha. Entrega junto...
Assim fiz eu. Mas a figura nem abriu os passaportes. Olhou pra gente e disse:
- Vocês não precisam. De vocês eu lembro!
Lembrar, lembra, eu disse pra Paulixta. Só não sabe quem é quem...
Londres é uma cidade pulsante. Tem muito menos charme que sua rival francesa para o titulo de capital da Europa, mas tem certamente mais energia. Como chegamos já tarde da noite de sexta, depois de largar as malas no hotel já nos despencamos para Picadilly Circus, a fim de jantar e dar uma espiada no underground londrino. Espiada muito muquirana, porque o dia seguinte seria longo e tínhamos um compromisso mútuo de acordar cedo para não perder nada.
E lá estavamos nós, mais uma vez encarando o desafio CONHEÇA UMA MEGALÓPOLE EM UM DIA. Com algum fôlego e muita disposição, nos embrenhamos na selva britânica, tirando fotos do Big Ben, da ponte e da Torre de Londres, visitando o Museu de Madame Tussauds, com as obrigatórias fotos pagando mico ao lado das estátuas de cera, dando uma passadinha na casa de Sherlock Holmes, fazendo um mini-cruzeiro pelo Tamisa e ainda o circuito no turibus - em que o guia, tão logo entramos, perguntou a todos se éramos fãs dos Beatles. Para quem não fosse, dizia o dublê de comediante e xiita, melhor descer do ônibus.
Fiquei na minha. Vejam bem, não é que eu não seja fã dos Beatles. Eu nem tenho nada contra eles. Só não suporto é quando eles começam a cantar...
Mais uma vez, paramos no Hard Rock. Paulixta e eu temos uma meta sem prazo definido para ser cumprida (só de ser comprida) de conhecer todos os restaurantes da rede. E o de Londres é, simplesmente, o primeiro! Emoção pouca é bobagem...
Deixamos o dia seguinte, quando teríamos poucas horas livres antes de ir para o aeroporto, para nos despedirmos da cidade com estilo: uma volta no London Eye para ver a cidade de cima, e depois atravessar os jardins do palácio de Buckingham para tirar umas fotos da casa da Rainha.
Fomos até o London Eye de metrô, que, aliás, é outra peça na luta Paris-Londres, cada cidade jurando que o seu é melhor, é maior, dá 3 sem tirar de dentro. Eu sinceramente acho tudo isso infantil e dispensável, afinal o que vale é o prazer que a viagem lhe proporciona. Mas, se é para dar minha opinião, aí vai: o minhocão londrino é mais limpo...
Os operadores do metrô também são mais radicais, não diminuem nas curvas e parece que o descarrilamento está a um suspiro de você - muita gente nem respira nesses momentos que é, imagino, pra não levar a culpa. Mas não nós. Acostumadas com os intrépidos dos asfaltos brasileiros e suas performances em ônibus, táxis e na entrega da pizza, mais achávamos graça das manobras, até que a Paulixta decifra o problema: o tio não consegue estacionar! Ele tá com problema de baliza!
Por sinal, ela foi de metrô a contra-gosto. Desde a aventura em Paris que ela fala que esse povo da Europa é tudo tatu, porque entre a entrada das estações e o ponto de pegar o trem em si, a gente anda uma média de 15 minutos.
Chegamos ao London Eye, pra quem não sabe, uma puta roda-gigante que leva meia hora para dar um giro completo, e na qual é possível ver toda a cidade - se você tiver mínimas condições de visão.
Não era, obviamente, nosso caso.
Estava eu tentando usar o zoom da câmera para me ajudar a reconhecer os pontos, quando minha Paulixta me pergunta, mostrando mais uma vez como ela esta acima dessas ostentações pequeno-burguesas:
- Vai tirar outra foto desse reloginho?
- Na verdade, eu estou procurando o palácio de Buckingham...
- Ah, deve ser aquela casinha ali no meio do mato...
Ela realmente não se deixa impressionar facilmente.
Jaqueline Costa
Se recusa a comentar a troca da guarda, pois foi ao som de Copacabana
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Conhecendo a Helvécia
A Convenção de Genebra Adverte: A Leitura Deste Diário Pode Causar Danos Irreversíveis à Capacidade de Manter-se Sério
Outro fim-de-semana se aproximava, e a pergunta era: pra onde vamos desta vez?
Apertim não é exatamente generosa em vôos diretos, e dado que só tínhamos dois dias e meio à disposição, lugares como Grécia ou Polinésia Francesa estavam descartados. Para minha profunda tristeza, tenho que dizer.
Com uma gama restrita de opções, e uma vez que as praias da Grande Bethânia deixam muito a desejar, resolvemos por um destino neutro.
Suíça.
Aliás, mais neutro, impossível.
E assim desembarcaram duas brasileiras perdidas em Genebra. Pra comer chocolate suíço, fazer fondue de queijo suíço, ver as horas num relógio suíço e tentar assaltar um banco suíço usando um canivete suíço.
A Suíça, pra quem não sabe, já pertenceu ao Império Romano, à França e à Alemanha. Não surpreende serem tão neutros - qualquer briga que queiram entrar sempre vão estar contra alguém da própria família. A impassibilidade deles é tão latente que até mesmo o Brasil, se um dia quiser brincar de WAR, invade fácil o país e destrói todo o exército vermelho.
Mas se alguém aí foi a Paris e achou que estava no primeiro mundo, o dia em que pisar em Genebra vai achar que está num OUTRO mundo. O mundo de Forbes. Um lugar em que tudo funciona e eles falam francês, mas não fazem cara de nojinho quando você tenta estabelecer um diálogo em inglês.
E finalmente eu encontrei uma cidade da Zoropa em que as pessoas ESCOVAM OS DENTES!
Genebra tem como paisagens naturais os Alpes ao redor da cidade, e o famoso (pelo menos é famoso pra mim) Lago Léman, que tem 75 quilômetros de extensão, e passa por outras trocentas cidades, incluindo Montreux e Nyon. Na capital Suíça ainda é brindado com a maior fonte da Europa, capaz de cuspir 500 mil litros de água por minuto a impressionantes 140 metros de altura.
Já na primeira caminhada à margem do lago, minha Paulixta e Personal Engraçadinha manda a sua:
- Ah não! Esse lago é limpo demais pra ser de verdade! TENHO CERTEZA QUE É ARTIFICIAL!
Considerando o estado dos nossos Rio Tietê e Baía da Guanabara, ver um local de água não renovável como um lago apresentar águas transparentes realmente impressiona. Mas ponderei com ela que HAJA CIMENTO pra fazer uma piscina desse tamanho!
Ela alegou um financiamento da ONU.
O tour pela cidade era obrigatório, e passamos por todas as organizações, instituições e reuniões de gatos-pingados que ostentam MUNDIAL em seu status.
Ir à Suíça e não comprar um relógio é como ir ao Rio e não ter ressaca de caipirinha. Mas como em cada esquina da cidade há uma relojoaria diferente, os preços também variavam bastante. Numa loja em que os números não pareciam tão assustadores, ela me pergunta:
- Será que esses relógios não são falsos?
Eu, com minha lógica reversa:
- Ah, não. Eles são suíços! Não posso acreditar que suíços falsifiquem relógios suíços!
Não muito depois, atravessaríamos uma rua que não tinha semáforo, apenas a faixa de pedestres pintada. Reza a lenda que nesses casos a preferência é dos passantes, e que basta tocar o asfalto com o pé para que os carros parem. Minha Paulixta, conhecedora das leis de trânsito, caminhou segura e resoluta sem sequer olhar para os lados. Quando se deu conta de que eu não estava ao seu lado, virou-se para trás me buscando. Pergunta ela:
- Ow! Você não vem?
Começo a atravessar, falando:
- Estava esperando o carro parar
- Tem a faixa, eles tem que parar
- É, mas vai que não para?
- Ah, MAS ELES SÃO SUÍÇOS!
Ela até tem razão... MAS VAI QUE TINHA ALI NO MEIO UM LATINO EM FÉRIAS???
Depois de tão agradável fim-de-semana, voltamos à realidade aberdinense de curso e trabalho. Já em casa, olhando as fotos e selecionando o que iria para a internet, ela olha a que tiramos junto ao tradicional Relógio de Flores e lança a dúvida:
- Vai saber se isso estava certo...
- Claro que sim! É UM RELÓGIO SUÍÇO...
Depois, escrevendo legendas para que nossos amigos soubessem por onde passamos, minha amiga mostra todo o seu desprezo pelo materialismo mundano. Ela me pergunta sobre a fonte, aquela, a maior da Europa:
- Jaque, qual é o nome daquele jorrinho d'água mesmo?
Definitivamente, esta figura não se impressiona com bobagens...
Jaqueline Costa
Tem uma conta num banco de sangue suíço
Outro fim-de-semana se aproximava, e a pergunta era: pra onde vamos desta vez?
Apertim não é exatamente generosa em vôos diretos, e dado que só tínhamos dois dias e meio à disposição, lugares como Grécia ou Polinésia Francesa estavam descartados. Para minha profunda tristeza, tenho que dizer.
Com uma gama restrita de opções, e uma vez que as praias da Grande Bethânia deixam muito a desejar, resolvemos por um destino neutro.
Suíça.
Aliás, mais neutro, impossível.
E assim desembarcaram duas brasileiras perdidas em Genebra. Pra comer chocolate suíço, fazer fondue de queijo suíço, ver as horas num relógio suíço e tentar assaltar um banco suíço usando um canivete suíço.
A Suíça, pra quem não sabe, já pertenceu ao Império Romano, à França e à Alemanha. Não surpreende serem tão neutros - qualquer briga que queiram entrar sempre vão estar contra alguém da própria família. A impassibilidade deles é tão latente que até mesmo o Brasil, se um dia quiser brincar de WAR, invade fácil o país e destrói todo o exército vermelho.
Mas se alguém aí foi a Paris e achou que estava no primeiro mundo, o dia em que pisar em Genebra vai achar que está num OUTRO mundo. O mundo de Forbes. Um lugar em que tudo funciona e eles falam francês, mas não fazem cara de nojinho quando você tenta estabelecer um diálogo em inglês.
E finalmente eu encontrei uma cidade da Zoropa em que as pessoas ESCOVAM OS DENTES!
Genebra tem como paisagens naturais os Alpes ao redor da cidade, e o famoso (pelo menos é famoso pra mim) Lago Léman, que tem 75 quilômetros de extensão, e passa por outras trocentas cidades, incluindo Montreux e Nyon. Na capital Suíça ainda é brindado com a maior fonte da Europa, capaz de cuspir 500 mil litros de água por minuto a impressionantes 140 metros de altura.
Já na primeira caminhada à margem do lago, minha Paulixta e Personal Engraçadinha manda a sua:
- Ah não! Esse lago é limpo demais pra ser de verdade! TENHO CERTEZA QUE É ARTIFICIAL!
Considerando o estado dos nossos Rio Tietê e Baía da Guanabara, ver um local de água não renovável como um lago apresentar águas transparentes realmente impressiona. Mas ponderei com ela que HAJA CIMENTO pra fazer uma piscina desse tamanho!
Ela alegou um financiamento da ONU.
O tour pela cidade era obrigatório, e passamos por todas as organizações, instituições e reuniões de gatos-pingados que ostentam MUNDIAL em seu status.
Ir à Suíça e não comprar um relógio é como ir ao Rio e não ter ressaca de caipirinha. Mas como em cada esquina da cidade há uma relojoaria diferente, os preços também variavam bastante. Numa loja em que os números não pareciam tão assustadores, ela me pergunta:
- Será que esses relógios não são falsos?
Eu, com minha lógica reversa:
- Ah, não. Eles são suíços! Não posso acreditar que suíços falsifiquem relógios suíços!
Não muito depois, atravessaríamos uma rua que não tinha semáforo, apenas a faixa de pedestres pintada. Reza a lenda que nesses casos a preferência é dos passantes, e que basta tocar o asfalto com o pé para que os carros parem. Minha Paulixta, conhecedora das leis de trânsito, caminhou segura e resoluta sem sequer olhar para os lados. Quando se deu conta de que eu não estava ao seu lado, virou-se para trás me buscando. Pergunta ela:
- Ow! Você não vem?
Começo a atravessar, falando:
- Estava esperando o carro parar
- Tem a faixa, eles tem que parar
- É, mas vai que não para?
- Ah, MAS ELES SÃO SUÍÇOS!
Ela até tem razão... MAS VAI QUE TINHA ALI NO MEIO UM LATINO EM FÉRIAS???
Depois de tão agradável fim-de-semana, voltamos à realidade aberdinense de curso e trabalho. Já em casa, olhando as fotos e selecionando o que iria para a internet, ela olha a que tiramos junto ao tradicional Relógio de Flores e lança a dúvida:
- Vai saber se isso estava certo...
- Claro que sim! É UM RELÓGIO SUÍÇO...
Depois, escrevendo legendas para que nossos amigos soubessem por onde passamos, minha amiga mostra todo o seu desprezo pelo materialismo mundano. Ela me pergunta sobre a fonte, aquela, a maior da Europa:
- Jaque, qual é o nome daquele jorrinho d'água mesmo?
Definitivamente, esta figura não se impressiona com bobagens...
Jaqueline Costa
Tem uma conta num banco de sangue suíço
domingo, 10 de janeiro de 2010
Edinburgh e a Maldição do Castelo
Como visitar várias vezes a mesma cidade sem nunca ir ao seu principal ponto turístico
De acordo com a programação feita na véspera, iríamos sair bem cedo naquele domingo. Seguir até Rosslyn e visitar a capela que serviu de cenário final para O Código Da Vinci, e, depois das fotos de praxe, procurar um lugar para fazer um piquenique. Depois, satisfeitos e bem alimentados, voltaríamos para Edinburgh, para uma passada no Hard Rock Cafe e visitar o Castelo de Edinburgh.
Como todo mundo sabe (quem não sabe é sinal de que não anda lendo as páginas do Diário), a Escócia é lotada de castelos. Pra onde se olha, há um castelo. E um cemitério, mas estes últimos eu não visito, não estou aí para ficar chiando I see dead people no ouvido da galera.
Alguns castelos não são mais que grandes casas de famílias ricas, e suas construções são nada mais que uma ode ao dinheiro sobrando. Outros, como o Castelo de Dunottar, foram importantes durante as guerras internas do Reino Juntim, e hoje suas ruínas servem para contar um pouco da história do local. Mas poucos nesta classe se encontram inteiros como o castelo da capital escocesa, e com todas as acomodações abertas à apreciação pública.
Bem, isso tudo eu apenas presumia. Nas duas vezes que havia estado na cidade, encontrei o castelo fechado, por motivos diferentes – na primeira vez, graças a uma apresentação que estava acontecendo em frente ao dito, e na segunda devido ao Military Tattoo Festival da cidade. Má sorte, fazer o que.
Saímos em dois carros – comigo viajavam El Maracucho e minha Paulixta preferida. No outro, uma família de amigos venezuelanos, e também Dago, o cachorro mais simpático da Escócia. A viagem foi super tranquila, apenas fazendo uma ou duas paradas para o cachorro esticar as pernas e pra gente fazer xixi no poste.
Depois de algumas entradas erradas graças a esta maravilha da tecnologia chamada GPS, sem a qual não poderíamos nos perder com tanta facilidade, finalmente subíamos o monte onde se encontra a capela. Confesso que olhava frequentemente para o lado, procurando o Tom Hanks. Vai que estavam filmando uma sequencia? Eu seria uma papagaia de pirata hollywoodiana!
Para minha desilusão, aparentemente Forrest Gump estava correndo em outras bandas. Enfim.
A capela, como toda igreja que se preza, estava em obras. Que ganharam um bom empurrão com essa propaganda bem-vinda feita, imagino que de graça, pelo Dan Brown. Não vejo motivos para que a igreja fosse visitada antes do livro e do filme. Agora, ela é chamariz de turistas. Que devem ficar um tanto frustrados (eu fiquei, pelo menos) quando não encontram a paisagem exatamente como aparece no filme. Mas as esculturas internas compensam.
Depois da visita e da obrigatória passagem pela lojinha de souvenirs (porque lembrancinha é pra quem não fala francês!), fomos procurar um lugar para o planejado piquenique. Confesso que planejar um piquenique na Escócia foi uma das atitudes mais otimistas que eu já tomei: afinal, era esperar ter pelo menos 2 horas sem chuva nas Highlândias o que não é exatamente comum, pode perguntar para qualquer McMoça do Tempo. Mas os planos tinha sido feitos e, caso uma chuva nos pegasse de sopetão, criaríamos um novo estilo de piquenique, o in-car. Mas nós fomos realmente sortudos e além de um dia bem agradável (não ensolarado, que aí já seria milagre), encontramos um belo espaço para relaxar, comer e dar boas risadas.
Dago, o super-cão, teve seu momento de glória, quando mostrou que seu dono é totalmente inapto a pegar a bolinha antes dele. BOLINHA DE TÊNIS, suas mentes sujas!
Já tendo feito a refeição, e a digestão em ritmo de moda de viola venezuelana, nos despedimos da família e seguimos, El Maracucho, Paulixta e eu, para Edimburgh. Como não era dia de apresentação alguma em frente ao castelo, nem época de Military Tattoo, estámos tranquilos. Assim, curtimos um chopp no Hard Rock, e um passeio pela cidade, que, diga-se de passagem, é bem interessante. Vale a pena a visita para qualquer brazuca que esteja perdido na terra dos McChatos.
Uma última parada para um café, já que calor interno ali a gente só consegue à base de bebida mesmo, e seguimos para o castelo.
Finalmente, eu disse a meus amigos, vou ver esse castelo por dentro. Já estava ficando frustrada de nunca conseguir entrar nele.
Carro estacionado, subinhos o morrinho para o castelo. Turistas passando por nós, e os gualdinhas na porta para manter a ordem e dar um ar de autoridade.
Qual não foi minha surpresa quando um dos puliça me párou. Não podia entrar!
O horário de visitas estava terminando....
Pra quem acha que foi burrice minha, antes de aceitar o singelo elogio tenho a dizer que era um domingo, antes das cinco da tarde, e no verão escocês, que faz as noites começarem apenas às dez, onze da noite. Praticamente TODAS as atrações aproveitam esse período de pseudo-calor e férias escolares para alargar o horário de visitas, e fazer uma graninha extra (que provavelmente compensa o numero reduzido de loucos que saem de casa durante o rigoroso inverno pra fazer turismo). Praticamente todas, mas não o Castelo de Edinburgh.
Jaqueline Costa
É brasileira e não desiste nunca, mas cogita abrir exceção pro Castelo de Edinburgh
De acordo com a programação feita na véspera, iríamos sair bem cedo naquele domingo. Seguir até Rosslyn e visitar a capela que serviu de cenário final para O Código Da Vinci, e, depois das fotos de praxe, procurar um lugar para fazer um piquenique. Depois, satisfeitos e bem alimentados, voltaríamos para Edinburgh, para uma passada no Hard Rock Cafe e visitar o Castelo de Edinburgh.
Como todo mundo sabe (quem não sabe é sinal de que não anda lendo as páginas do Diário), a Escócia é lotada de castelos. Pra onde se olha, há um castelo. E um cemitério, mas estes últimos eu não visito, não estou aí para ficar chiando I see dead people no ouvido da galera.
Alguns castelos não são mais que grandes casas de famílias ricas, e suas construções são nada mais que uma ode ao dinheiro sobrando. Outros, como o Castelo de Dunottar, foram importantes durante as guerras internas do Reino Juntim, e hoje suas ruínas servem para contar um pouco da história do local. Mas poucos nesta classe se encontram inteiros como o castelo da capital escocesa, e com todas as acomodações abertas à apreciação pública.
Bem, isso tudo eu apenas presumia. Nas duas vezes que havia estado na cidade, encontrei o castelo fechado, por motivos diferentes – na primeira vez, graças a uma apresentação que estava acontecendo em frente ao dito, e na segunda devido ao Military Tattoo Festival da cidade. Má sorte, fazer o que.
Saímos em dois carros – comigo viajavam El Maracucho e minha Paulixta preferida. No outro, uma família de amigos venezuelanos, e também Dago, o cachorro mais simpático da Escócia. A viagem foi super tranquila, apenas fazendo uma ou duas paradas para o cachorro esticar as pernas e pra gente fazer xixi no poste.
Depois de algumas entradas erradas graças a esta maravilha da tecnologia chamada GPS, sem a qual não poderíamos nos perder com tanta facilidade, finalmente subíamos o monte onde se encontra a capela. Confesso que olhava frequentemente para o lado, procurando o Tom Hanks. Vai que estavam filmando uma sequencia? Eu seria uma papagaia de pirata hollywoodiana!
Para minha desilusão, aparentemente Forrest Gump estava correndo em outras bandas. Enfim.
A capela, como toda igreja que se preza, estava em obras. Que ganharam um bom empurrão com essa propaganda bem-vinda feita, imagino que de graça, pelo Dan Brown. Não vejo motivos para que a igreja fosse visitada antes do livro e do filme. Agora, ela é chamariz de turistas. Que devem ficar um tanto frustrados (eu fiquei, pelo menos) quando não encontram a paisagem exatamente como aparece no filme. Mas as esculturas internas compensam.
Depois da visita e da obrigatória passagem pela lojinha de souvenirs (porque lembrancinha é pra quem não fala francês!), fomos procurar um lugar para o planejado piquenique. Confesso que planejar um piquenique na Escócia foi uma das atitudes mais otimistas que eu já tomei: afinal, era esperar ter pelo menos 2 horas sem chuva nas Highlândias o que não é exatamente comum, pode perguntar para qualquer McMoça do Tempo. Mas os planos tinha sido feitos e, caso uma chuva nos pegasse de sopetão, criaríamos um novo estilo de piquenique, o in-car. Mas nós fomos realmente sortudos e além de um dia bem agradável (não ensolarado, que aí já seria milagre), encontramos um belo espaço para relaxar, comer e dar boas risadas.
Dago, o super-cão, teve seu momento de glória, quando mostrou que seu dono é totalmente inapto a pegar a bolinha antes dele. BOLINHA DE TÊNIS, suas mentes sujas!
Já tendo feito a refeição, e a digestão em ritmo de moda de viola venezuelana, nos despedimos da família e seguimos, El Maracucho, Paulixta e eu, para Edimburgh. Como não era dia de apresentação alguma em frente ao castelo, nem época de Military Tattoo, estámos tranquilos. Assim, curtimos um chopp no Hard Rock, e um passeio pela cidade, que, diga-se de passagem, é bem interessante. Vale a pena a visita para qualquer brazuca que esteja perdido na terra dos McChatos.
Uma última parada para um café, já que calor interno ali a gente só consegue à base de bebida mesmo, e seguimos para o castelo.
Finalmente, eu disse a meus amigos, vou ver esse castelo por dentro. Já estava ficando frustrada de nunca conseguir entrar nele.
Carro estacionado, subinhos o morrinho para o castelo. Turistas passando por nós, e os gualdinhas na porta para manter a ordem e dar um ar de autoridade.
Qual não foi minha surpresa quando um dos puliça me párou. Não podia entrar!
O horário de visitas estava terminando....
Pra quem acha que foi burrice minha, antes de aceitar o singelo elogio tenho a dizer que era um domingo, antes das cinco da tarde, e no verão escocês, que faz as noites começarem apenas às dez, onze da noite. Praticamente TODAS as atrações aproveitam esse período de pseudo-calor e férias escolares para alargar o horário de visitas, e fazer uma graninha extra (que provavelmente compensa o numero reduzido de loucos que saem de casa durante o rigoroso inverno pra fazer turismo). Praticamente todas, mas não o Castelo de Edinburgh.
Jaqueline Costa
É brasileira e não desiste nunca, mas cogita abrir exceção pro Castelo de Edinburgh
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Whiskuse Me
Como Soltar uma Paulixta na Escócia
A proposta era ousada: curso intensivo de inglês para a Paulixta durante toda a semana, e pé na estrada de sexta a domingo. Além de minha amiga ter que lutar contra o sono e o cansaço, nós duas tivemos que acender 50 mil velas de 7 dias para São Juba & Lula, padroeiros da Armação Ilimitada, pedindo que eu não embarcasse durante o mês de Junho.
No primeiro dia de aula dela, eu, anfitriã inigualável, insuperável, irretocável e insuportável, a levei até o curso para que ela não se sentisse mais perdida que já estava – afinal, qualquer pessoa que se digne a ir pra Escócia pra estudar inglês não pode ser tomada como exemplo de bom senso. Fora que se faz parte do meu círculo torto de amizades, aí que nem sabe o significado da expressão!
Hora do almoço e eu, amiga sem par (nem ímpar), resolvi fazer um intervalo um pouquinho maior para comer com ela. Por pura bondade em meu coração, porque eu jamais faria isso apenas para matar trabalho. Magiiiiiina!
Perguntei como estava sendo o curso, e a surpresa: mal ela chegou, teve uma prova. Isso porque para a inscrição no curso, que foi feita via email, ela já havia feito um teste, que a colocou na classe intermediária. Mas enfim, a Paulixta entrou na turma e o teacher super simpático: bem vinda, senta a bunda e faz a prova.
Tá, não foi com essas palavras. Mas a idéia era essa.
Tranquila e calma como qualquer pessoa que se encontra totalmente na merda, minha amiga sentou e fez a prova. Entregou, esperou o resto da galera terminar. E assim a aula começou.
No fim da aula, o professor veio com outra novidade: ela estava transferida para a classe avançada. Segundo ele, se quando chegou chegando ela já tinha tido um aproveitamento entre o muito bom e o ótimo na prova, se ela seguisse na turma intermediária no final da outra semana já não teria mais nada pra aprender.
Pessoalmente acho que ele ficou com medo de que no final da 3ª semana ela estivesse dando aula no lugar do pobre.
Ou seja, num breve resumo, teacher TRUCO, Paulixta RETRUCO.
O primeiro fim-de-semana veio, e até então nosso trato com os santos das baladas estava sendo cumprido. Nenhum embarque se anunciava no horizonte, então partimos para as cidades escocesas.
Primeira parada, Stonehaven.
Meu nobre amigo Maracucho, da República Democrática de Maracaibo, região menor que o Vaticano que luta bravamente até a última arepa para se emancipar da Venezuela, nos acompanhou. Dispensamos o rádio na viagem, já que com ele por perto é impossível ouvir outra coisa que suas histórias hilárias.
E foi assim, chorando de rir, qiue chegamos ao castelo de Dunnotar. Lugar excelente para fotos, e o dia ensolarado ajudava. Entre uma pose e outra, os momentos culturais, lendo nas placas afixadas nas pedras o que exatamente era cada espaço – cozinha, quartos principais, o local em que os grãos eram estocados, o forno em pedra para assar pão...
Subindo mais um andar no castelo, um curioso barril pintado de preto encostado na parede. Paulixta pergunta o que seria, e o Maracucho, com sua lógica própria, diz que deveria ser outro forno antigo. Eu, que estava um pouco afastada fotografando a dupla, comento que me parecia estranho, já que o castelo é de antes de 700dC e o barril não se via tão antigo.
El Maracucho se aproxima pra investigar. E num acesso fala (numa tradução livre): PUTA QUE PARIU, ESSA MERDA TEM ATÉ CÓDIGO DE BARRAS!
O dia seguinte seria mais longo. Uma visita à Capela Rosslyn, e depois a capital escocesa, Edinburgh.
Não, eu não estava pagando meus pecados nem fazendo novena. Eu sei que falando assim, Rosslyn não diz nada a ninguém. E não dizia mesmo. Mas aí um tal Dan Brown resolveu ambientar o último capítulo de seu livro ali, e por casualidade o livro virou best seller...
Jaqueline Costa
Parece que Não Reza
A proposta era ousada: curso intensivo de inglês para a Paulixta durante toda a semana, e pé na estrada de sexta a domingo. Além de minha amiga ter que lutar contra o sono e o cansaço, nós duas tivemos que acender 50 mil velas de 7 dias para São Juba & Lula, padroeiros da Armação Ilimitada, pedindo que eu não embarcasse durante o mês de Junho.
No primeiro dia de aula dela, eu, anfitriã inigualável, insuperável, irretocável e insuportável, a levei até o curso para que ela não se sentisse mais perdida que já estava – afinal, qualquer pessoa que se digne a ir pra Escócia pra estudar inglês não pode ser tomada como exemplo de bom senso. Fora que se faz parte do meu círculo torto de amizades, aí que nem sabe o significado da expressão!
Hora do almoço e eu, amiga sem par (nem ímpar), resolvi fazer um intervalo um pouquinho maior para comer com ela. Por pura bondade em meu coração, porque eu jamais faria isso apenas para matar trabalho. Magiiiiiina!
Perguntei como estava sendo o curso, e a surpresa: mal ela chegou, teve uma prova. Isso porque para a inscrição no curso, que foi feita via email, ela já havia feito um teste, que a colocou na classe intermediária. Mas enfim, a Paulixta entrou na turma e o teacher super simpático: bem vinda, senta a bunda e faz a prova.
Tá, não foi com essas palavras. Mas a idéia era essa.
Tranquila e calma como qualquer pessoa que se encontra totalmente na merda, minha amiga sentou e fez a prova. Entregou, esperou o resto da galera terminar. E assim a aula começou.
No fim da aula, o professor veio com outra novidade: ela estava transferida para a classe avançada. Segundo ele, se quando chegou chegando ela já tinha tido um aproveitamento entre o muito bom e o ótimo na prova, se ela seguisse na turma intermediária no final da outra semana já não teria mais nada pra aprender.
Pessoalmente acho que ele ficou com medo de que no final da 3ª semana ela estivesse dando aula no lugar do pobre.
Ou seja, num breve resumo, teacher TRUCO, Paulixta RETRUCO.
O primeiro fim-de-semana veio, e até então nosso trato com os santos das baladas estava sendo cumprido. Nenhum embarque se anunciava no horizonte, então partimos para as cidades escocesas.
Primeira parada, Stonehaven.
Meu nobre amigo Maracucho, da República Democrática de Maracaibo, região menor que o Vaticano que luta bravamente até a última arepa para se emancipar da Venezuela, nos acompanhou. Dispensamos o rádio na viagem, já que com ele por perto é impossível ouvir outra coisa que suas histórias hilárias.
E foi assim, chorando de rir, qiue chegamos ao castelo de Dunnotar. Lugar excelente para fotos, e o dia ensolarado ajudava. Entre uma pose e outra, os momentos culturais, lendo nas placas afixadas nas pedras o que exatamente era cada espaço – cozinha, quartos principais, o local em que os grãos eram estocados, o forno em pedra para assar pão...
Subindo mais um andar no castelo, um curioso barril pintado de preto encostado na parede. Paulixta pergunta o que seria, e o Maracucho, com sua lógica própria, diz que deveria ser outro forno antigo. Eu, que estava um pouco afastada fotografando a dupla, comento que me parecia estranho, já que o castelo é de antes de 700dC e o barril não se via tão antigo.
El Maracucho se aproxima pra investigar. E num acesso fala (numa tradução livre): PUTA QUE PARIU, ESSA MERDA TEM ATÉ CÓDIGO DE BARRAS!
O dia seguinte seria mais longo. Uma visita à Capela Rosslyn, e depois a capital escocesa, Edinburgh.
Não, eu não estava pagando meus pecados nem fazendo novena. Eu sei que falando assim, Rosslyn não diz nada a ninguém. E não dizia mesmo. Mas aí um tal Dan Brown resolveu ambientar o último capítulo de seu livro ali, e por casualidade o livro virou best seller...
Jaqueline Costa
Parece que Não Reza
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Uma Emocionante Saga em Busca da Piada Perfeita
"As Páginas do Díário" surgiram meio por acaso, da união de minha paixão por escrever com a necessidade de responder a meus vários muitos amigos a eterna pergunta que não raro pululava em minha mailbox: "onde é que você tá, mulher?"
Pra não responder um por um, os relatos das viagens foram iniciados, e enviados para uma lista de amigos. Um interessante efeito bola-de-neve começou, com amigos mandando os textos para outros amigos, e a lista foi aumentando. Com tanta gente que nem me conhece querendo ler as besteiras que escrevo, só posso concluir uma coisa: como tem gente boba neste mundo! ! !
Para não correr o risco de perder os textos, resolvi colocar tudo na net, para referências futuras, que não serão aceitas como prova por nenhum juiz.
Claro que isto não significa que vou deixar de mandar as páginas do diário por email para meus diletos, seletos, concretos e infelizes leitores!
Pra não responder um por um, os relatos das viagens foram iniciados, e enviados para uma lista de amigos. Um interessante efeito bola-de-neve começou, com amigos mandando os textos para outros amigos, e a lista foi aumentando. Com tanta gente que nem me conhece querendo ler as besteiras que escrevo, só posso concluir uma coisa: como tem gente boba neste mundo! ! !
Para não correr o risco de perder os textos, resolvi colocar tudo na net, para referências futuras, que não serão aceitas como prova por nenhum juiz.
Claro que isto não significa que vou deixar de mandar as páginas do diário por email para meus diletos, seletos, concretos e infelizes leitores!
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