segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Escala em São Paulo

A Inexplicável Animosidade Entre Sampa e Eu

Definitivamente, São Paulo não gosta de mim.

Eu sempre desconfiei do fato dado que, em anos e anos de interação, a única coisa boa que eu recebi do estado foi uma irmã Paulixta. Certo que ela compensa, de longe, todas as aguras que passei. Mas a bem da verdade, sua ‘tecnologia de fabricação’ foi trazida de outro estado...

Nas incontáveis vezes que já pisei em solo paulista, 90% delas o tempo estava nublado ou chuvoso. Até aí, Neves, dirão vocês. Afinal, o que esperar de SP senão tempo nublado sujeito a chuvas?
Mas isto não é tudo. Em todos esses anos de alma nômade, as únicas vezes em que minha bagagem se extraviou foram quando fiz escala por São Paulo. Na primeira delas, ainda tive como saldo uma alça quebrada na mala.
O único namoro com um legítimo representante da terra da garoa que tive terminou por total ausência de entendimento: nós nunca chegamos à conclusão sobre quem era o idiota da relação. E aquele suspense me matava!

Agora, em mais uma ingênua tentativa de passar incólume pela capital financeira do meu país, mais uma vez eu fui brindada com essa intolerância invisível, embora quase palpável, de Sampa para com esta escriba.
Primeiro, na breve passagem por lá, a caminho de Santiago, perderam (oh! Surpresa!) minha bagagem. Já conhecedora de todos os procedimentos cabíveis, encaminhei-me ao balcão da empresa aérea, deixei nome e telefone de contato, e segui para o shopping para uma compra emergencial de roupas.
A volta seria mais traumática.

Escala em SP a caminho do Rio. Despacho malas na capital chilena direto para o aeroporto do Galeão/RJ, a fim de economizar tempo e pernas em SP, evitando assim a retirada das malas apenas para despachá-las novamente. Como em Santiago eu recebi os dois cartões de embarque (Santiago-Guarulhos e Guarulhos-Galeão), ao chegar em São Paulo fui direto para o portão de embarque.
Lá me disseram que eu precisava voltar ao check-in da TAM para trocar o boleto.
Ok, lá vamos nós para o balcão da TAM. Já no check-in, e como gata escaldada que sou (aliás, esta é a única forma de me definir como ‘gata’, então eu não vou desperdiçar a oportunidade!), aviso ao tiozinho do balcão que tenho dois volumes que foram despachados em Santiago para o Rio. Para minha surpresa, e a despeito do que tinham me informado em Santiago, ele diz que eu tenho que voltar, retirar as malas, e despachar de novo!
Ai, Jesus, Maria, José e o burrico! Vou ao balcão da LAN – minha passagem era um Frankenstein aéreo. Eu comprei pela Air France, mas voei AF, TAM e LAN – e os funcionários, depois de vários minutos, aparecem com meus pacotes.

Volto ao balcão da TAM para despachar a bagagem. Para quem conhece o aeroporto de Guarulhos, dá já para calcular o quanto esse ir e vir significa em passadas. Se eu tivesse um cartão de fidelidade do aeroporto, já teria milhagens suficientes para voltar de graça para minha casa na Grande Britânia, esta nação fabricante de ventiladores!
Malas entregues e boarding pass trocado, sigo novamente para o portão de embarque. E o tiozinho me pára de novo, para me informar, como se fosse uma novidade muito grande para mim, que eu tenho três garrafas na minha maleta de mão. Sim, três garrafas de vinho, lacradas. As mesmas três garrafas que saíram do Chile, na mesma maleta. De mão.
Do Chile pra SP pode, de SP pro Rio, não.
O paraíba me perguntou se eram garrafas do Duty Free. Não, mas qual a diferença?
Do Duty Free pode.

Ele então me explicou que eu não podia levar na bagagem de mão porque era um embarque pelo setor internacional. Sim, eu disse, mas eu estou vindo do Chile, com esta mesma bagagem de mão, insisti. E ele “ah, é, mas é que aqui é embarque internacional”.
Eu perguntei pra ele em que estado do Brasil ele acha que fica o Chile...

Volto para o balcão da TAM. Peço para lacrar e etiquetar com frágil minha maleta. De volta para o setor de embarque. Embarque às 20:30h, no portão 4A. E estava eu ali, esperando pelo embarque e já pensando nesta página do diário quando, às 20:30h, uma voz avisa de sopetão que, por questões de rearranjo (cósmico, presumo eu), o embarque tinha sido transferido para o portão 11A. E era, obviamente, embarque imediato.

Acelerando minhas passadas em mais um momento fast forward de minha vida, vou conferindo os portões: 7, 8, 9, 10... e descubro também que Guarulhos deve ser o único aeroporto em que o 11 vem depois do 13! ! !

Jaqueline Costa
Não é Paulixta

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O Último Titã

Buscando o Lendário e Imaginário Monstro de Loch Ness

Aberdeen, embora seja a terceira maior cidade da Escócia, tem parcos 200 mil habitantes. Pequena assim, as opções de diversão são totalmente exploradas em menos de um mês. Resumindo em duas frases:

  1. Se Aberdim é a terceira, não quero nem imaginar a quarta!
  2. Fim-de-semana sem embarque é sinônimo de “vamos inventar algo para fazer”.

Eu ainda arrastava comigo os resquícios de ressaca da estada Brasil/Chile quando o fim-de-semana apresentou-se livre para mim e para minha amiga colombiana, fiel escudeira de aventuras highlandesas.
A proposta: ir até Inverness, cidade onde se encontra o lago Ness, tão famoso pela lenda do monstro-serpente que habita suas águas. Serpente lacustre, porque pra ser marinha teria que ir um pouco mais pra fora. Viajando de carro, para conhecer realmente as Highlands (que, para quem não sabe, são apenas uma parte, e não toda a Escócia. Aberdeen seria, digamos, parte das Mediumlands. Ou Boringlands, ainda estou pesquisando essa parte) e, de quebra, as destilarias pelo caminho Coisa que eu nem gosto, só fui para poder escrever este relato a vocês, porque sou uma alma gentil e caridosa.
Na véspera de botar o pé na estrada, fomos ao supermercado Mega-Seu-Manel-da-Padaria da esquina para comprar víveres, já que iríamos acampar na beira do lago. Entre uma barra de cereal e outra, eis que divisamos a super-promoção da semana: 12 garrafas de cerveja belga, a nossa querida Stella Artois, por meras 8 libras.
2 pares de olhos brilharam. E a proposta de um fim-de-semana saudável teve morte súbita.

De manhãzinha, apontamos nossos narizes (e o capot do carro) para o Norte e vamos que vamos! Primeira parada, Destilaria Glefinddich, lar do whisky homônimo. Agora tentem falar ‘homônimo’ e ‘Glefinddich’ com umas doses de whisky no carburador – já sabendo que isto seria impossível, falamos sobre o whisky durante a visita, e pra noite ia ficar mesmo assuntos mais comuns, com palavras mais simples.
Entre tonéis envelhecidos gigantes e sbroubles áreas e maneiras diferentes de fermentação de malte, sentíamos o nível alcoólico subir só pelo cheiro das salas. Claro que isso não melhorava a qualidade das piadas, mas para a salvação de nossa moral, ninguém ali entendia espanhol.
Até o final daquela noite, com a mistura etílica que faríamos, nem eu entenderia.

Aliás, nem a colombiana.

Entramos na sala escura onde a bebida é envelhecida. Diferentes tipos de madeira nos tonéis para dar diferentes sabores. Explicações feitas, o desafio: cheirar 3 barris diferentes e adivinhar qual whisky era 12, qual 16 e qual 21 anos.
Só digo uma coisa: se fosse pra acertar sabor de refrigerante eu estava danada. Mas na destilaria... eu deveria receber um salário por isso!
Final do passeio e degustação, que afinal nós viemos aqui pra beber E pra conversar, e voltamos ao ousado peugeot e reiniciamos a viagem. Próximo destino: Strathisla Distillery. Se não soou nenhum sino em sua cabeça, é apenas porque você bebeu pouco, mas é lá que se fabrica o famoso Chivas Regal.
Entre um whisky e outro, já era quase hora do almoço. E o dia estava lindo, e nós estávamos perto da praia. Desnecessário dizer, embicamos o carro na direção do litoral e tivemos um típico almoço latino: numa mesa na calçada, de biquini, e tomando chopp. Não tão gelado quanto me agradaria, mas não suficientemente quente para me deixar de mau humor. Até porque, só de olhar a cara de espanto dos locais, olhando aquelas duas figuras de frente pro sol usando biquini já rendia ótimas gargalhadas.
A um momento eu quase estendi minha mão a um dos passantes e disse “leve-me ao seu líder”.

Ao final da tarde, chegamos a Inverness. Uma agradável cidade que dá a impressão de ser muito maior que Aberdeen. Impressão falsíssima, sua população é de minguados quarenta e poucos mil habitantes. Um estádio de futebol, por assim dizer. E tudo ali respira Nessie. Bonequinhos, bonecões, revistas, livros, filmes, chapéus, chaveiros, a cerveja do monstro, lanterna pra buscar o bicho no escuro (uau! Mas que delícia!), relatos, fotos, postais, chá, biscoitos, quebra-cabeças, o baralho a quatro pra jogar sueca.
Se fosse no Brasil também teria samba-enredo e um carro-alegórico de 50 metros de altura empacado na entrada da cidade.
A noite já se anunciava, então fomos ao camping esticar nossos sacos de dormir e nos preparar para a caça ao monstro do dia seguinte.
‘Nos preparar’ significa basicamente tomar todas as cervejas trazidas e arrematar com o whisky comprado no meio do caminho. Se a intenção era ver monstro, já nem precisávamos mais ir até o lago.
O domingo amanheceu solidário à nossa ressaca, chuvoso e frio. Entramos no barquinho para o passeio pelo lago, e qual não foi a boa surpresa de ver que no barquinho tinha bar. Coronas em punho, vamos lá caçar essa cobra d’água!
Um sonar ligado mostrava a movimentação abaixo de nós, e dizia a profundidade, enquanto o narrador com seu sotaque de bárbaro escocês contava toda a lenda de Nessie. Para minha decepção, descubro que o ‘profundíssimo’ lago Ness tem, em seu ponto mais crítico, meros 300 metros de lâmina d’água. Ah, fala sério! Profundo de cu é rôla! Com essa piscininha Toni eles querem me enganar que eu vou ver serpente?

Pior: monstro escocês na água? Como se algum habitante destas paragens fosse chegado num banho!

Jaqueline Costa
Não viu o monstro

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Fórmula 1

Vocês acham que foi ruim o Glock (que deve ser mesmo só 9 milímetros. E fino!) ter aberto a porta e as pernas na última curva, deixando o Hamilton passar e tirando o campeonato que já todos comemoravam das mãos do Massa?
Então experimentem viver tudo isso na Grà-Bretanha!
E sendo a única brasileira no trabalho!
Assisti a corrida entre latinos, mas foi só a bandeira quadriculada tremular para o piloto gameboy da McLaren para eu receber uma mensagenzinha engraçada de um cálega de siuviço. Inglês, óbvio.
Segunda de manhã, ainda de mau-humor com essa história, ainda ouço mais uns três marmanjos fazendo piadinhas. Pior, escoceses - ora, vão ver em que posição ficou o Coulthard!
Aí, quando achei que já tinha acabado a rodada de piadinhas, eis que meu futuro-novo-chefe, escocês, começa seu round. Que durou o dia todo. E eu educadinha já que era chefe...
Lá pela terceira gracinha, lembrei que ele não fala português e mandei tomar no cu. Ora pílulas!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Depois eu que sou portuguesa...

Only two things are infinite, the universe and human stupidity, and I'm not sure about the former
Einstein

Eu preciso tirar minha carteira de motorista reino-unidense, porque, após um ano morando nesta aprazível terra, sou considerada moradora fixa e não posso mais dirigir apenas com minha licença internacional.
Para dar início aos trâmites legais, tenho que mandar um formulário preenchido, fotos e um documento de identidade, que pode
1) Carteira de Identidade UK
2) Passaporte UK ou Europeu
3) Passaporte internacional

Caso a pessoa esteja na opção 3, também precisa pedir que uma pessoa com endereço fixo em UK assine no verso das fotos enviadas, atestando que você é você. Detalhe: não pode ser parente, não pode viver na mesma casa, e essa pessoa precisa declarar que conhece você há pelo menos 2 anos.

Agora, vamos às contas: se você precisa tirar a carteira depois de um ano residindo aqui, onde é que você vai encontrar alguém que te conheça há dois anos ou mais?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Rádio Ligado no Blog

Não basta ser sincero, ter caráter, ser honesto
Gotta work, like Kirk e o Vulcano
Oh meu Deus, quanta luta, quanta luta, quanto treino,
Insistindo e brigando, quanta força, e doendo
Oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus...
Não seria mal, oh meu Deus
se eu fosse errado, eu sei
sustentado pelo mundo
A Etiópia é assim, o Subaquistão é assim...

(Il ne suffit pas d´être sincère, honête et avoir du caractère
Gotta work, like Kirk et il Vulcan
Ah mon dieu, que de lutte, que de lutte, d'entrainements,
insistant, se battant, que de force, malfaisante
Ah mon dieu, ah mon dieu, ah mon dieu
Ah! Ça ne serait pas mal, ah mon dieu
Si j'étais, c'est faux, je sais
entretenue par le monde
L'Ethiopie c'est ainsi, Le Subaquistan c'est ainsi...)

é que eu nasci pro trabalho
me arruma um trabalho
menos estranho...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Só o Cume Importa!

A subida – e a DESCIDA – de El Colorado

Até agora o diário estava light, coisas básicas como tomar um pisco sour aqui, um laxante acolá... mas férias com a Jaque é sinônimo de aventura, adrenalina, medo, muito medo!
Nem que seja medo da Jaque aparecer na sua casa. Mas que dá medo, dá!
Nossa viagem estava neste pé: conheceramos Viña del Mar e o Oceano Pacífico, esta incógnita para nós, amantes latinos do Atlântico; déramos uma passada na casa de Neruda, para um cafezinho; foto em frente ao estádio Sausalito; e várias muitas caminhadas ‘al rededor’ de Santiago, que então já conhecíamos como a palma suada de nossas mãos.
Faltava o mais importante: subir um dos ‘nevados’, ir a uma estação de esqui!
Havíamos marcado a subida a El Colorado para a manhã da sexta-feira, já que domingo era o dia em que a realidade bateria às portas avisando que a viagem acabou. Tudo combinado com o serviço ao turista perdido, e a van nos pegaria às sete da manhã, horário nada cristão, em frente ao hotel.
O dia amanheceu chuvoso. Aliás, tormentoso. E água em Santiago é sinônimo de nevasca nas montanhas. Depois de um bom par (ou trio) de horas esperando no Mc Donalds, o ‘seu motorista’ veio nos avisar que o passeio estava cancelado, as estradas estavam fechadas e o BigMac estava em promoção.
Só que eu sou vegetariana.
O passeio só não foi completamente perdido porque durante o tempo de espera PC e eu pudemos ver a seleção feminina de futebol avançar para as finais nas Olimpíadas, enquanto a Josie e a Tati puxavam um ronco num sofazinho maroto que havia na lanchonete.
Humildes turistas perdidos que somos, colocamos a viola no saco e a mochila nas costas, e fomos afogar nossas mágoas no Mercado Central, afinal não há tristeza que resista a uma tarde de compras arrematada com pisco sour.

Sábado de manhã, nova tentativa. Ivy e Miguel valentemente juntaram-se a nós neste desafio de conquistar a montanha de gelo. Conquistar de van, mas conquista é conquista!
Do pé da montanha até o cume, já que só o cume interessa, são contadas, através de placas, quarenta curvas-cotovelo. Depois da quadragésima, os santiaguenses cansaram ou a tinta acabou, mas as curvas seguiam firmes e fortes!
No início tudo era motivo para fotos, “uau’s”, “oh’s” e “ah’s”. Até que o gelo começou a aparecer não só nas cordilheiras à nossa volta mas também na estrada sob nós. Conforme subíamos, mais e mais carros páravam nos semi-acostamentos para colocar as correntes nas rodas. Menos o tiozinho da van, que, ousado, seguia o rumo como se estivesse pilotando um tanque do exército russo entre as geleiras da Sibéria.
Cada vez que a roda da van dava uma escapada, os rostos de Josie e Tati mais combinavam com a paisagem branca. Já naquela situação em que não lhe passaria nem agulha, Josie comenta com Tati, num fio de voz: - Por que ele não coloca a corrente? EU AJUUUUDO!
Tati, na mesma situação: - Eu tambéééem!
Para o alívio destas duas pessoas tão corajosas, na penúltima curva o tio colocou as ‘cadenas’.

E chegamos a El Colorado! Que fica à esquerda, ou à direita, de Valle Nevado. Depende de quantos pisco sours você tomou antes de subir, e a quem você pediu informação. Mas estávamos lá, a estação de esqui bombando, snowboarding, teleférico, saltos pra cá, neve espirrando pra lá...
Diante de tanta ação, pegamos uma mesa, uma rodada de pisco, e começamos a jogar truco.
‘Mas vocês subiram tudo aquilo, passaram todo aquele perrengue, só pra jogar truco?’ vocês hão de me perguntar. E orgulhosa respondo: NÃO! Também jogamos sueca, sambamos na neve, e fizemos guerra de bolas de neve, num memorável round “Todos Contra Tati”. Até churrasquinho arrumaram lá em cima. De carne congelada, eu presumo.

Claro que tudo que sobe, tem que descer. Mas pra baixo todo santo ajuda, a gente tem essa falsa idéia.
Bem, o problema é que, com neve, quando o santo ajuda, atrapalha. E, na hora em que os carros começaram a descer, começaram também os acidentes. Freia um carro sobre o gelo, que eu quero ver! E, se a subida nos tomou quase três horas, a descida nos levou as últimas seis horas do dia. Felizmente, como bons farofeiros que somos, tínhamos conosco um suprimento de biscoitos apenas superado pelo estoque da Nabisco, e fome não foi o problema.
Problema mesmo é que aquela van parecia mais uma ambulância ortopédica, e ficar na mesma chata posição durante seis horas estava fazendo maravilhas para meu tornozelo e meu joelho. Mas quem sou eu pra reclamar, já que a van tinha o isolamento da porta quebrado, e todo o ventinho gelaaaado do morro tratava de fazer a crioterapia em meus membros inferiores.
Entre uma cãimbra e outra, os planos de voltar a El Colorado. Dessa vez, quem sabe, pra passar um fim de semana, fazendo um legítimo pagodão brasileiro. Afinal, com neve ou sem, morro é morro...

Jaqueline Costa
Sentindo saudades de Santiago

terça-feira, 21 de outubro de 2008

ERRATA*

Escrevi certo no caderninho que carreguei comigo por Santiago, mas digitei errado quando transpus para as paginas do diario. O rio que corta a cidade chama-se MAPOCHO, e nao Mapacho. Minha mana paulixta, guia cultural e Mestra Jedi, Ivy que me corrigiu... mas, enfim... Mapocho, Mapacho, Capacho... eh tudo a mesma merda!

*Erro nao.... ligeiro engano. Afinal, a gente nunca enramos, seus indiotas!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Uns dias de ferias...

Ferias soh do blog, eu estou ralando. Alias, eh por isso que o blog estah parado: novamente embarcada, com estes terminais gringos que nao entendem acento nem aceitam um penisdrive...

As paginas do diario estao sendo escritas e, assim que meu Habeas Corpus for assinado, eu juro que coloco no ar!

Enquanto isso, uma novidade na familia: minha filhinha jah eh mae, o que significa que eu jah sou avo. Abaixo, a foto da pequena Mayla cuidando da cria...

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Rádio ligado

Citizen of the Planet

Alanis Morissette

I start up in the north
I grow from a special seed
I sprinkle it with sensibility
From French and Hungarian snow
I linger in the sprouting
Until my engine's full

Then I move across the sea
To European bliss
To language of poets
As I cut the cord of home
I kiss my mother's mother
Look to the horizon

Wide eyed, new ground
Humbled by my new surroundings

I am a citizen of the planet
My president is Kwan Yin
My frontier is on an airplane
My prisons, homes for rehabilitating

Then I fly back to my rest
I fly back with my nuclear
But everything is different
So I wait
My yearn for home is broadened
Patriotism expanded
By callings from beyond

So I pack my things
Nothing precious
All things sacred

I am a citizen of the planet
My laws are all of attraction
My punishments are consequences
Separating from source the original sin

I am a citizen of the planet
Democracy's kids are sovereign
Where the teachers are the sages
And pedestals filled with every parent

And so the next few years are blurry
The next decade's a flurry
Of smells and tastes unknown
Threads sewn straight through this fabric
Through fields of every color
One culture to another

And I come alive
And I get giddy
And I am taken and globally naturalized

I am a citizen of the planet
From simple roots through high vision
I am guarded by the angels
And my body guides the direction I go in

I am a citizen of the planet
My favorite pastime edge stretching
Besotten with human condition
These ideals are born from my deepest within

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Pede pra Sair, Número 2!

Humor escatológico. Tá com nojinho, Aspira?

Devo pedir desculpas a quem tem uma alma sensível, mas este página está na merda. Literalmente.
Peço aos mais afetados que virem a cara pro lado até eu terminar de contar. Se fizer biquinho não ganha bala.

A pequena Josie há muito tem dificuldades em seu relacionamento com Sir Toilet Seat. Ainda não descobrimos se é por timidez ou a diferença de culturas que impede um diálogo mais, digamos, profundo. O fato é que já se conhecem há anos (com trocadalho), mas não evoluem da paquera para algo mais estável.
Embora para alguns casais uma viagem de férias ajude a quebrar o gelo, no caso deste estranho par é exatamente o contrário, e a menina trava. Trava meeeeesmo.
Não foi diferente em Santiago.

Os dias passavam e as risadas se multiplicavam feito gremlins no climinha chuvoso de Aperteen, e Josie não engatava uma conversa mais próxima com Señor Latrina. Claro que ela tentava nos fazer entender sua preocupação com o rumo que a relação tomava, receosa de um divórcio litigioso, e claro que nós, tão amiguinhos que somos de Monsieur Toilette, não dávamos a mínima.
Com o desespero batendo, ela veio pedir socorro pra mim, eleita a tradutora oficial da turma:
- Jaque, se eu não conseguir hoje, você vai ter que comprar um remédio pra mim.
- Josie, deixa eu te explicar uma coisa: eu aprendi espanhol com Shakira e Juanes. E a colombiana nunca cantou pra prisão de ventre!
Não teve jeito. Com a menina inchando e sem uma válvula de escape para tudo aquilo – quer dizer, válvula tinha, mas emperrada – tive que encontrar uma maneira de explicar pra moça da farmácia que a gente precisava dum Roto-Rooter. Laxante comprado, leio a bula pra ela – 20 gotas, uma vez por dia, dá descarga e alegria!
Ela tomou 40 de manhã, mais 30 de noite.

Nessa mesma noite resolvemos não sair para jantar, já que nos dias anteriores tínhamos andado mais que carteiro de Caxias, e PC e eu já havíamos chegado a Santiago em situações precárias – eu com o tornozelo torcido, ele com uma unha – quase uma garra de gavião – encravada, encalacrada e entubada. Aquela noite o quarto do BBB estava mais pra ambulatório do SUS, e pedimos uma pizza gigante para acompanhar aquele joguinho maroto de sueca.

Meu caro amigo PC não gosta de pimentão. Por 4 vezes eu pedi à tia da pizzaria pra não colocar pimentão na pizza.
Que, obviamente, veio com pimentão.

Inicialmente, achávamos que a aversão de PC ao vegetal fosse por seu sabor com, digamos, personalidade. No decorrer da noite, e com a verborragia do menino aumentando e aumentando, em quantidade e não em qualidade, chegamos à conclusão que ele tem é medo dos efeitos alucinógenos que a hortaliça lhe causa.
PC ficou doidão.

Entre uma partida e outra de baralho, Josie entrou no banheiro. Afinal vai, pensamos. Claro que o besteirol continuou enquanto a menina estava na casinha. E, no meio de qualquer besteira, ela de lá sai com um comentário. PC, possesso:
- Gente, ela quer interagir! CAGA EM PAZ, JOSEANE!
Porém, para nossa decepção, não seria daquela vez que ela faria as pazes com o troninho.

E como nada se passava sem que tirássemos um duplo sentido, ou, neste caso, um duplo sentado do assunto, Josie comentava com Tati:
- Hoje eu não tomei o remédio
Tati:
- Ah, mas não é bom mesmo tomar todo dia! Quer dizer... às vezes é...
Depois da risada inicial, PC quis saber porque ela tinha abdicado do laxantinho que vale por um bifinho. E ela resolveu explicar a ciência para PC, ignorante destas situações, este menino para quem basta um belo prato de sucrilhos para transmutar-se em pato. Josie, esta PhD da constipação intestinal:
- Laxante funciona, mas você fica dependente...
PC, pensativo:
- Tem gente que é viciado em cocaína, a Josie é viciada em laxante!
Josie, desfiando seu expertise:
- Mas é! Eu conheço todas as marcas do mercado!

O assunto ainda renderia, e a gente já estava até pensando em comprar um bolo pra comemorar quando ela finalmente conseguisse expor a sua obra. Foram ainda uns bons dias à base de purgante para que ela finalmente se aliviasse.
Celebramos com pisco sour.

Jaqueline Costa
E as páginas seguem! Próximo capítulo, El Colorado!

Uma Emocionante Saga em Busca da Piada Perfeita

"As Páginas do Díário" surgiram meio por acaso, da união de minha paixão por escrever com a necessidade de responder a meus vários muitos amigos a eterna pergunta que não raro pululava em minha mailbox: "onde é que você tá, mulher?"
Pra não responder um por um, os relatos das viagens foram iniciados, e enviados para uma lista de amigos. Um interessante efeito bola-de-neve começou, com amigos mandando os textos para outros amigos, e a lista foi aumentando. Com tanta gente que nem me conhece querendo ler as besteiras que escrevo, só posso concluir uma coisa: como tem gente boba neste mundo! ! !
Para não correr o risco de perder os textos, resolvi colocar tudo na net, para referências futuras, que não serão aceitas como prova por nenhum juiz.
Claro que isto não significa que vou deixar de mandar as páginas do diário por email para meus diletos, seletos, concretos e infelizes leitores!

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